quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Porque hoje é o fim do mundo

É já amanhã!

Finalmente de férias.

Se tudo correr bem, e se o mundo não acabar, amanhã lá aterrarei em casa para o merecido descanso.
A casa fica entretanto fechada até as baterias ficarem recarregadas.

Boas Festas a todos!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Divagação sobre Portugal, a crise, Angola e o futuro

No dia do fim do mundo, se Deus quiser, lá estarei a bordo do avião que me carrega de volta a casa, para umas merecidas férias.
Tem sido cada vez mais com um sentimento ambíguo que regresso para férias, se por um lado o cansaço é mais que muito e as saudades esmagadoras, por outro o cenário que encontro é cada vez mais desolador e o espírito daqueles que reencontro andam cada vez mais em baixo. Chega a roçar a esquizofrenia deixar em apenas 8 horas um local onde tudo melhora a olhos vistos e o ânimo reflecte-se no empenho que vemos no dia-a-dia para as coisas acontecerem, para outro, que ainda por cima é a nossa casa, onde tudo desmoronou e quase não há forças para reerguer o que se julgava garantido. Aqui abre-se a porta do desenvolvimento e as coisas começam a surgir. Aqui nada era garantido, tomar um duche era (e ainda é) um luxo, assim como iluminar a casa, mas já não vai sendo. Sente-se a prosperidade a crescer com o passar do tempo. Acredita-se num futuro. Tudo o contrário acontece na nossa terra. Descobrir que afinal o que tínhamos como garantido tinha sido conquistado com o dinheiro dos outros e que estes nos fecharam a torneira dói, dói muito. Mas nada está perdido pois, quer queiramos quer não, o mundo não irá acabar no dia 21, pelo que teremos um futuro pela frente, o qual será aquilo que quisermos que ele seja. Depende de nós e apenas de nós. Seremos aquilo que fizermos hoje.
Os Angolanos podem aqui dar-nos uma excelente ajuda, não pelos negócios, não pelas suas importações ou investimentos no nosso país, pelo grande exemplo que são de um povo que soube reerguer-se das cinzas (literalmente!). Eles perderam tudo, viveram o maior horror possível que é uma guerra entre irmãos, mas uniram-se e estão a reerguer-se enquanto nação, juntos estão a fazer por um futuro melhor no qual acreditam incondicionalmente e sem reservas. Mas para eles não há "fado", só importa que se faz no dia-a-dia, naquele preciso instante; o futuro é isso mesmo: futuro e desconhecido. Por isso uma características mais enigmáticas dos tugas para os angolanos é o nosso cinzentismo, o nosso fatalismo, como se actuássemos sempre à espera do pior. Como é possível construir um futuro sem acreditar, pelo menos, que o melhor está ali ao virar da esquina? O que foi já não volta a ser, já lá vai, por isso é inconcebível que desejemos voltar ao que éramos há uma década atrás, essa vida já não volta; somos pobres sim, mas só deixaremos de o ser se nos mentalizarmos de vez da nossa condição actual e acreditarmos piamente que o deixaremos de o ser num futuro próximo. E não esperemos favores nem dádivas de alguém, ninguém dá nada e tudo se paga; estaremos por nossa conta, caso contrário seremos o que outros quiserem ao invés daquilo que desejamos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

O progresso da nossa economia mista


Um quarto, nada mais nada menos.
Quando as empresas privadas têm prejuízos fecham as portas, quando as empresas públicas têm prejuízos o Estado aumenta impostos, sugados aos primeiros e contra os quais concorre, para cobrir o desvario.
Quando se pagam impostos sem retorno é isto que acontece. Quando se pagam impostos para cobrir as asneiras de quem conduziu um país à falência é isto que acontece.
Qualquer imposto é um desincentivo ao trabalho e ao consumo. Quando o Estado fica com parte dos lucros de uma empresa está indirectamente a deter uma participação nessa empresa. Privadas? Pois... Quando o Estado fica com uma parte dos rendimentos do trabalhador está a confiscar parte do valor do seu trabalho, sendo aquele que sobra taxado novamente aquando do consumo. Não devem por isso existir impostos? Claro que devem, mas dentro de valores o mais baixo possível, caso contrário é isto que acontece.
E isto acontece porque a Economia e os Mercados são como a água: procuram sempre o caminho mais fácil e encontram sempre uma saída por muitos diques que lhes coloquem à frente. Se queremos alterar esta percentagem só há dois caminhos: ou se constrói definitivamente a barragem e o sacrossanto Estado fica com toda a economia e nos tornamos na Cuba da Europa ou deixamos definitivamente a água seguir o seu curso até chegar ao moinho de cada um. "Mistos" é que não podemos continuar a ser, ou somos carne ou somos peixe. Acredito que abraçaremos a segunda opção e que estamos a trabalhar para isso, mas quatro décadas de desvario socialista não se apagam de um dia para o outro. A cura dói e vai continuar a doer.

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sábado, 1 de dezembro de 2012

Cortar despesas

Não há chavão mais utilizado nos dias de hoje que a necessidade de reduzir a despesa do Estado.
Todos sabemos que assim é. O Governo tem noção disso e contra ventos e marés (há quem lhes chame interesses instalados) lá tem feito o seu trabalho na medida do possível. A oposição clama por cortes na despesa e por um plano de crescimento e emprego. Sugestões para isso zero, nicles. O povo clama igualmente pelos tão afamados cortes, mas este, ao contrário da oposição, fez ouvir as suas sugestões.
Recordam-se do site cortardespesas.com?
Num exercício de arqueologia pelo meu PC lá descobri o relatório que o Gabinete de Estudos Nacional do PSD elaborou em Outubro de 2010 sobre as propostas recebidas no referido site. Fica disponível aqui para consulta por todos os interessados.
A sua leitura é hoje um exercício deveras interessante...

domingo, 25 de novembro de 2012

Saudades...


Da minha mulher, da família, dos amigos, do meu país, da minha terra natal.
Do cheiro da terra molhada no meu Alentejo.
Do frio no Inverno.
De palmilhar as ruas do centro da minha Elvas.
De par um pulo a Portalegre e almoçar no enorme Tomba Lobos.
De passar a fronteira e da vista do Guadiana a acariciar Badajoz.
De calcorrear e o seu "casco antiguo" e beber uma caneca na cervejaria La Fábrica.
De jantar no grande Tanuki San.
De dar salto a Évora e escolher um par de livros na centenária Livraria Nazareth.

Já falta pouco...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Um post ao acaso sobre Angola

À beira de completar seis anos em Angola muita coisa há para escrever e contar, difícil é escolher e saber por onde começar, mas desde o início atribulado às peripécias do dia-a-dia, que só aqui acontecem, há algo que não mudou nestes anos: um quarto trimestre endiabrado.
Não sei se o mesmo acontece em todas as profissões, mas para quem, como eu, se dedica à logística e transportes internacionais a coisa é difícil de descrever. Este país vive do que importa e a produção local, apesar do aumento que se verifica, é ainda marginal quando comparada com as importações, sendo que estas, literalmente, disparam no último trimestre do ano; facilmente se duplica ou mesmo triplica o volume de actividade nesta fase. A correria é impressionante. Tudo se encomenda, tudo se compra e vende, com especial incidência nos cabazes de Natal, que são uma oferta de grande tradição natalícia por estas bandas. O fim de ano, pelos motivos óbvios, é uma época de grande consumo e Angola não é excepção, mas tem a particularidade de Luanda ser o seu grande centro comercial, a capital é o grande mercado abastecedor do país, pelo que o resultado é fácil de imaginar: se o Porto e o Aeroporto já são pequenos para a sua actividade normal e as ruas da cidade estão sempre congestionadas, imaginai nesta fase. A paciência de santo é quase requisito obrigatório.
E o volume de trabalho torna-se impressionante, o ritmo endiabrado, com muito pouco tempo livre. O dia-a-dia já é sempre bem recheado, pois um expatriado tem que render bem o que a empresa paga por ele, mas nesta altura do ano é coisa é indescritível.
Mas pelo menos é verão. Há sol e calor com fartura a convidarem constantemente à praia, aos almoços à beira mar e às festas nocturnas na Ilha de Luanda. Mas tanto calor também consome mais energia, pelo que o fornecimento desta fica um pouco mais irregular nesta fase. Em verdade se diga que a distribuição de energia em Luanda melhorou imenso nos últimos anos, mas ainda é usual passarmos um, dois ou três dias por semana, dependendo das zonas, sem energia eléctrica. E sem energia eléctrica podemos esquecer o duche, pois se a electro-bomba não funcionar não há como levar água até casa. Sobra o gerador, o qual, no meu caso, tem sempre a pontaria de avariar quando há mais falhas de rede. Sendo verão é também a época das chuvas, sendo que aqui quando chove vem água a sério, com todos os transtornos que podemos, ou conseguimos, imaginar numa cidade preparada para 500 mil habitantes e hoje com cerca de 5 milhões. O trânsito que já é quase tipo betão, fica pouco menos que impossível, pelo que a pontualidade para com os compromissos, que já é uma miragem, fica um mito. E depois temos as falhas de sistema; por uma incrível coincidência falha o sistema precisamente nos sítios onde temos algo a tratar naquele preciso momento.
Mas este ano, como se tudo isto não bastasse para testar a nossa resistência, uns tipos lá em Portugal, que é tão só o segundo fornecedor de Angola, lembraram-se de fazer umas graves nos portos, ou seja: já tínhamos a incerteza de quando um contentor sai do Porto de Luanda, mas agora temos a incerteza de quando o mesmo cá chega. Fantástico, não é?
Menos mal de daqui a pouco mais de um mês estarei de férias na planície alentejana e o resto é conversa...

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sábado, 27 de outubro de 2012

O Plano B




Tenho para mim, pelo que leio nas últimas notícias, que o plano B do Governo e da Troika, caso a execução orçamental derrape em 2013, seja mais ou menos isto.

domingo, 21 de outubro de 2012

Deixa andar e depois logo se vê

Com mais um governo sob fogo cerrado e com a contestação nas ruas como há muito não se via começa a instalar-se a ideia de Portugal ser um país ingovernável.
Três falências em 38 anos de democracia não são para qualquer um e são motivo mais que suficiente para equacionar o epíteto de Estado falhado. Bem sei que o adjectivo é forte demais, mas um Estado no qual os seus cidadãos têm a sensação de que a justiça não funciona, onde há impunes, onde é quase impossível enriquecer sem as ligações certas, onde mais que cidadãos são tratados apenas como contribuintes sugados para a bancarrota e onde os seus salários são pagos de forma recorrente pelo FMI não merece ser considerado um verdadeiro Estado. Por muito que nos doa é hora de encarar a realidade: o regime não funciona. E não vale a pena vir dizer que as elites são fracas e as lideranças mais fracas ainda, que o são, mas foram paridas no seio do mesmo povo que governam, nasceram no mesmo país, andaram nas mesmas escolas e universidades que todos nós, e um povo que faz da selecção de futebol um desígnio nacional e do fado um estilo de vida tem as lideranças que merece. Já se disse que não governamos, nem nos deixamos governar. Nada mais longe da verdade, o problema é não nos interessarmos sobre como devemos ser governados. Quando a exigência e o mérito não são apanágio da prática diária de um povo é mais que normal surgirem lideranças fracas. E quando falo de exigência não me refiro a ir para a rua gritar palavras de ordem quando nos vão ao bolso, mas por exemplo manifestar um pouco de indignação quando um certo emigrante em Paris prometia o paraíso com dinheiro dos outros a troco de duplicar a dívida pública.
É por esta falta de exigência, este "deixa andar", este "depois logo se vê", que o país chegou a um estado perto do irrespirável, a um estado em que o chico-espertismo e o amiguismo levam a avante sobre o mérito e o esforço. Não por acaso nem um só político em Portugal se atreve a prometer trabalho, esforço e sacrifícios em campanha eleitoral e ele vê-se onde as facilidades e o progresso nos trouxeram... Só mesmo por manifesta ingenuidade muita gente ainda se pergunta porque quando emigramos mudamos tão radicalmente e lá fora somos excelentes em tudo o que fazemos. Nada mais fácil: o esforço recompensa, mesmo sabendo que nos espera muito trabalho. E em Portugal? Saberemos de que servirão os sacrifícios e o imenso trabalho de hoje? Se não, talvez seja hora de repensar de vez o sistema e recomeçar de novo.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sobre o OE 2013

Depois de 36 anos a abrir caminho creio que os portugueses finalmente começam a compreender o que é a sociedade socialista.

sábado, 6 de outubro de 2012

Défice de tempo

Pouco tempo, os dias a voarem sem dar por eles, muito trabalho, imenso mesmo, uma correria diabólica para chegar a todo o lado, menos ao blogue, que infelizmente fica um pouco de lado nestas fases.

O último trimestre do ano em Angola é sempre assim, com o tempo livre inversamente proporcional ao volume de trabalho.
Menos mal que o Natal está ali ao virar da esquina...

domingo, 23 de setembro de 2012

Um país aos solavancos

O actual governo não serve, pronto. O povo saiu à rua, os senadores da nação falaram, os jornalistas escreveram, os comentadores comentaram e é ponto assente: este governo não serve.
Da mesmo forma que outro também não serviria. Guterres não servia, Durão não servia, Santana nem se fala, mas Sócrates até era fixe. E quem vier depois deste governo certamente vai lançar saudades de PPC. É infalível; a lusitana saudade adoça sempre o passado. E pessimistas como somos a coisa atinge níveis próximos da patologia, já que o imediato é tudo, o longo prazo não existe e o resultado final, não se vislumbrando, não existe. Em Portugal parece que nos importamos mais como o campeonato começa do que como acaba. Vai daí tomar medidas não é para qualquer um, procuramos um resultado futuro mas sem prejudicar os efeitos imediatos. Adoramos a equidade (seja lá o que isso for), pois temos que agradar a gregos e troianos. E toda a gente opina, toda a gente comenta, todos sabem como sair da crise, todos governam (é Tribunal Constitucional, é Conselho de Estado...), mas não nos sabemos governar e já pedimos ajuda três vezes.
Ora corta subsídios, ora não corta subsídios, ora privatiza RTP ora não privatiza, ora mexe na TSU ora já não mexe na TSU... Bem sei que por vezes é necessário dar um passo atrás, para de seguida dar dois em frente, mas Portugal além de dar o passo atrás (empobrecendo ou limitando-se à sua real condição), já anda em zig-zag, o que talvez seja mais perigoso, pois com tanta curva e contra-curva a malta acaba ainda mais desorientada e corremos o risco de despiste.

sábado, 22 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

Portugal é um país surreal (2)

O Sr. Pedro Silva Pereira (sim, esse mesmo, o defensor acérrimo das políticas do turista parisiense) escreve uma notável prosa com o título "A Grande Fraude", sobre as últimas medidas de Passos Coelho, onde até dá um toques de contabilista apresentando umas contas e umas previsões e tudo.
Mas onde andou este senhor nos últimos 6 anos?! Só agora descobriu os seus dotes contabilísticos? Que jeitasso teriam dado quando a dívida pública galopava a passos largos! Será que os políticos portugueses têm um botão para ligar/desligar o bom senso conforme estão no poder ou na oposição? Quanto a fraudes, sem comentários.

Por outro lado um dos senadores da nação vem dizer que se somos "bons alunos da troika, eles são capazes de ser maus mestres"
Como?! Então porque já os chamámos três vezes desde a democracia? E nas três vezes que os chamámos quem governava o país? O PS, pois. Já toda a gente sabe que na pedagogia socialista um aluno reprova não porque não aprenda, mas porque o professor não ensina...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Portugal é um país surreal

O PS governou Portugal durante seis anos.
Duplicou a dívida pública.
Aumentaram impostos.
Favoreceu, incentivou, subsidiou e promoveu uma série de políticas económicas de crescimento.
Prometeram 150.000 empregos.
Quem avisava que o abismo estava a um passo era bota-baixista, uma voz incómoda que importava silenciar; Portugal era o paraíso do progresso.
Deixou o país com meio milhão de desempregados.
Portugal vai à falência.
Assinou juntamente com os outros partidos um acordo de assistência financeira com instituições internacionais.
O PSD e CDS vencem as eleições e estão no governo há um ano.
Não há dinheiro e todos fomos avisados da imensa dureza dos tempos mais próximos.
Já há quem peça a demissão deste governo.

Além de surreal parece um bocadinho ingovernável.

sábado, 8 de setembro de 2012

Não há milagres

"A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno."

Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa

"Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual."

Ponto 2 do Artigo 13º (Principio da igualdade) da Constituição da República Portuguesa

"Liberdade de iniciativa e de organização empresarial no âmbito de uma economia mista"

Alinea C) do Artigo 81º, Principios Fundamentais da Parte II (Organização Económica) da Constituição da República Portuguesa


Por muito que me desagrade a governação actual, ainda assim a milhas da anterior, bem podemos esperar sentados por mudanças estruturais na nossa economia, pois com tamanho colete de forças bem pode governar o gajo mais liberal, que por aí houver, que não terá a  mínima hipótese se antes não rasgar o texto acima.
Há muitos pormenores a discutir, mas creio que os três ponto acima são mais que suficientes para não acreditarmos em milagres. Se o preâmbulo dá o mote (que justificaria o nome do país como República Socialista Portuguesa), o principio de igualdade estampa logo o nivelamento por igual da condição económica dos portugueses; ora como é  possível existir mérito pelo esforço individual num país assim? Não vale a pena. Curiosamente a palavra "liberdade" surge 28 vezes na Constituição, contra apenas 5 vezes da palavra "economia" (questão de prioridades?) e nessas 5 surge 2 vezes com o apêndice "mista". Isto é uma tremenda falácia, pois numa sociedade socialista, a qual por definição pressupõe o planeamento central, nenhuma economia privada consegue competir contra uma economia pública que está sob a protecção do todo-poderoso Estado, o qual planificará e decidirá sempre a seu favor. Numa economia privada os prejuízos resultam em falências, numa economia pública os prejuízos não existem, numa economia mista os prejuízos do sector privado resultam em falências, enquanto os do sector público são suportados com os lucros do primeiro. Alguém falou em igualdade?
Mas vendo bem as coisas, um povo cujos maiores desígnios são a selecção de futebol e gritar palavras de ordem contra a riqueza, de quem cria empresas e gera emprego, só tem aquilo que merece; pois afinal como diz o próprio: "cada um só dá na medida daquilo que recebe".

Austeridade à Portuguesa


Desde os tempos em que o país ficou de tanga que a receita para cozinhar a contabilidade doméstica é a mesma. O monstro, esse continua indomável, pelos vistos nem um chicote estrangeiro o segura. Há dez anos que andamos nisto.
Diz-se que há por aí umas coisas chamadas "interesses instalados". Quando o barco for ao fundo o único interesse será saber nadar, pois a continuar assim nem os botes salva-vidas se salvam.

domingo, 2 de setembro de 2012

O bota-baixismo e o nacional-desenrascanço

Há uns bons anos, trabalhava eu em Espanha, frequentei uma acção de formação no Porto, ministrada por um dos maiores importadores de automóveis e camiões do país, onde ouvi a história de um engenheiro sueco que tinha feito recentemente uma auditoria de rotina, para o fabricante, sobre os procedimentos do representante em Portugal, sendo que os resultados foram extremamente satisfatórios, tendo o referido auditor sentenciado que "colocassem vocês, Portugueses, no dia-a-dia a vossa extraordinária capacidade de improviso e de trabalho sob pressão e ninguém vos superaria como potência económica". O que o dito Eng. Sueco referiu não era senão o nosso tão famoso "desenrascanço", tão útil que nos tem sido em épocas de aperto.
Isto vem a propósito do post um pouco mais abaixo, onde desanco a falta de visão de alguns dos nossos patrões (por algo os chamo de patrões e não empresários). Ora esta característica de auto-crítica é também notável no povo português, sendo que ninguém fala tão bem mal dos portugueses como nós próprios; não precisamos que nos baixem a moral, se há coisa que somos auto-suficientes é nisto. E somos há muito e demasiado tempo. Se enquanto povo não sabemos valorizar aquilo que temos de bom e fazemos melhor que outros, que não é pouco, então estaremos irremediavelmente condenados ao fracasso. Também somos saudosistas como poucos, o que por vezes não ajuda lá muito. Continuamos agarrados às glórias do passado, as quais jamais devemos esquecer, mas a História escreve-se hoje para ser lida amanhã, é aquilo que fazemos hoje enquanto povo que irá ditar o que seremos amanhã enquanto nação.
Temos uma enorme capacidade de adaptação, uma assombrosa capacidade de sacrifício, uma arte sublime para o improviso a trabalhar em cima do joelho, pena é que só as usemos quando "temos os calos apertados". Como dizia o Eng. Sueco, do inicio do post, também eu acredito que se quisermos ninguém nos segura, assim haja mais amor próprio depositado além da selecção de futebol.

sábado, 1 de setembro de 2012

O som da vida


"Um morte na família era uma coisa raramente vivida como um acontecimento. Era vivida como uma mudança de estação, como o final do verão, ou um período de mau tempo. Uma morte na família aproximava-nos mais da morte a nós próprios. A religião não tinha tornado a morte menos sinistra: continuava a ser um mundo onde preferíamos não entrar. A morte na minha mãe não muito tempo depois de ter começado a minha carreira teve como efeito a eliminação de uma espécie de ruído branco da vida do meu pai e da minha, um ruído branco muito agradável que eu achava que talvez só as mulheres conseguissem proporcionar. Era o som da vida, ao contrário da lógica do silêncio de que os homens gostavam: as mulheres procuravam Deus, ao passo que os homens procuravam Euclides. Quem me dera que fossem a mesma coisa."

Thomas McGuane, Por Um Fio
Quetzal Editores. Tradução: Vasco Teles de Menezes

Imagem: daqui.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Exportar por exportar mais vale estar quieto

Uma das vantagens de trabalhar no estrangeiro, principalmente num mercado onde existem muitas empresas portuguesas, é permitir conhecer melhor a verdadeira natureza dos nossos empresários.
É já um lugar comum afirmar que temos que exportar, temos que nos internacionalizar, não conseguimos continuar a viver do que produzimos no quintal, mas a verdade é que a nossa classe empresarial ainda é muito imberbe na forma como aborda um mercado externo. Trabalhando na área dos transportes internacionais e logística vejo isto em primeira mão. Chega a ser confrangedor ver como muita gente julga que exportar é encher um contentor, colocá-lo num navio, descarregá-lo no porto de destino e já está, muitos chegam a não saber das suas responsabilidades inscritas no incoterm da factura (se é que sabem o que é um incoterm!). Não há a preocupação de conhecer a legislação local, as regras das instituições envolvidas, os documentos necessários, as restrições ou condições para alguns produtos ou, mais grave ainda, os custos das operações. Há gente tão obtusa para a qual a incompetência é de quem ele contratou para transportar essa carga mas que é impossível entregar, porque a documentação recebida para o efeito não está conforme as normas locais, já que ele "não percebe nada disso, apenas quer exportar e é para isso que está a pagar". E até paga e paga demasiado, porque não há a preocupação com timmings, os documentos solicitados ficam muitas vezes a dormir não se sabe onde, e como tempo custa dinheiro, e em Angola custa mesmo muito dinheiro, os custos disparam, os prazos já lá vão e o preço de venda fica estratosférico; competitividade é ainda um palavrão abstracto para esta gente.
Existe de tudo: desde o pedreiro lá da aldeia que exporta um contentor e julga-se já um grande empresário, mas demora uma eternidade a pagar e ainda reclama do serviço, ao empreendedor que exporta dezenas de contentores por mês, cumpre tudo à risca, paga e não reclama. Ao contrário dos empresários estrangeiros que por aqui pululam nos quais a regra é a exigência e o perfeccionismo, pois estão a jogar fora de casa e como tal não brincam em serviço e querem mostrar que são os melhores. Estamos a milhas deste espírito.
Todo e qualquer empreendedor procura o lucro, mas acima de tudo e para isso deve prestar um serviço melhor ou diferente da concorrência, se procurar o lucro a qualquer custo é certo que esse custo será demasiado elevado ou até mesma fatal. Há que fazer as coisas certas ao invés de fazer bem as coisas, e como diz o povo "depressa e bem não faz ninguém", sendo que eu prefiro o ditado espanhol "sin prisa, pero sin pausa", pois muito temo que a nossa crise muito contribua para a pressa dos nossos patrões em exportarem para enriquecerem. E essa pressa a juntar ao provincianismo e ignorância foi fatal para alguns que já conheci por estas bandas.

sábado, 25 de agosto de 2012

Ingovernável? É o socialismo, estúpido!

Portugal é um país de empurrar os problemas com a barriga, do bola para a frente e fé em Deus. "Logo se vê" ou "depois vemos isso" são chavões demasiado populares quando toca a enfrentar um problema. Porquê dedicarmos o nosso tempo a algo chato e aborrecido quando o podemos fazer amanhã? Nas mais pequenas coisas às grandes decisões é algo transversal a todo o nosso povo. A classe política, não sendo extraterrestre nem sequer importada do estrangeiro, não foge à regra. Não gostando de problemas fingimos igualmente que eles não existem, abraçando também o socialmente exigível de agradar a tudo e todos, pois encontrar uma solução pressupõe fazer as coisas certas e não as coisas bem, sendo que estas últimas tendem a agradar a uma parte em prejuízo de outra. Assim o imediato é tudo, o longo prazo não se vislumbra pelo que não importa.
Isto vem a propósito do desastre da receita fiscal até à data. Portugal não cresce desde que entrou no séc. XXI, tivemos uma tristemente célebre década perdida a coleccionar défices consecutivos, vai daí o défice, ou o monstro, é o alvo a abater. E como? Para os iluminados que nos governam mais défice é igual a menos colecta de impostos, logo subam-se estes últimos. Um político que pense assim nem uma mercearia é digno de gerir. Coitado do Sr. Zé lá da esquina se decide aumentar o preço das alfaces, assim sem mais, só porque está a fazer menos caixa ao final da semana... Os iluminados que nos governam demonstram pelas suas práticas que julgam que obtêm menos receita fiscal, não porque o país não cresça, mas porque tem baixos impostos. Tal alheamento da realidade já tem tiques de autismo, principalmente quando a única coisa a crescer, de há muitos anos a esta parte, é despesa do Estado. Até o Sr. Zé da mercearia lá da esquina sabe que são as despesas que ele tem que medem o lucro das alfaces que vende...
Mas no fundo até somos um país porreiro, de amigalhaços, de palmadas nas costas (um dos hábitos mais irritantes do povo português), ferir susceptibilidades não é connosco. Por isso reformas e mudanças até se vão fazendo, mas partindo deste principio, como podemos ver no modelo de pseudo-privatização da RTP, a coisa concessiona-se a um amigalhaço e pronto, já podemos dizer que se mudou alguma coisa para tudo continuar na mesma.
Modernos? Também somos. Até já temos um governo liberal. Tão liberal que tem vindo a mostrar que não faz falta: temos o Tribunal Constitucional para isso. Qual programa de governo qual quê, se não for decalcado da Constituição não serve. Até podemos vir a caminhar para uma sociedade socialista sem governo. Digam lá que Portugal não inova?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Pensamento do dia

"Podemos sempre aprender alguma coisa com os outros, mesmo com os nossos inimigos. Neste tempo em que tudo custa tanto dinheiro, os críticos são mestres a quem não se paga. Merecem até, talvez, uma certa gratidão da nossa parte."

António Estanqueiro

domingo, 19 de agosto de 2012

España me encanta!


Igreja de São Francisco Xavier (Cáceres)


Plaza Mayor (Trujillo)


Templo de Diana (Mérida)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

No fundo é isto

"Se a Confraria do S.J. da Piedade, não tem vocação para gerir tal espaço então encerre-o. Comparando-o com a hotelaria, aquilo é uma pensão do mais rasca que há. E que fazer? Como em muitos locais, a Câmara Municipal que construa um. Todos sabemos que não é uma actividade económica rentável para um privado. Então que sejam os poderes públicos a promover essa actividade. Não há em Portugal estádios de futebol privados, a não ser aqueles que pertencem aos clubes. Todos os outros são pertença dos municípios. Ora se estes suportam a manutenção (e não só) destas infra-estruturas, porque não o campismo, que de certeza terá custos de exploração e manutenção muito mais baratos?"


No país das PPP, das obras para inglês ver, das falências em catadupa, do desemprego galopante, dos impostos asfixiantes e das três falências desde a democracia há quem continue a pedir mais obras, mais investimento público, mais dívida e mais défice, tudo com os nossos impostos. Notável.

domingo, 12 de agosto de 2012

Coisinhas boas do Alentejo: Tomba Lobos


Não vale a pena tentar encontrar adjectivos: é actualmente o melhor restaurante do Alentejo e arredores.
Há locais que nos marcam imediatamente à primeira e este foi um deles. Conheci-o nas férias de verão do ano passado e logo ficou agendada futura visita, se na altura foi surpreendente, desta vez a coisa foi simplesmente única e está mais que justificada a fama da criatividade de José Júlio Vintém, cuja diversidade dos menus justificam as visitas regulares, já que dificilmente encontrará os mesmos pratos. Só o reentrar lá já foi um prazer, pois é, certamente, um dos espaços mais elegantes do país, com linhas modernas e uma decoração sóbria que imediatamente nos agarra e de onde custa despedir-nos.
Se da primeira vez a fraca, o pato e os bicos de touro bravo estavam fabulosos, desta vez os nacos de vitela e uma açorda de lúcio estavam divinos, mas já a excelência tinha começado com as entradas, onde uma salada de beldroegas e um queijo de cabra gratinado com mel deram inicio às hostilidades. Tudo com o toque pessoal do chef a pedir demorada degustação apreciando cada segundo, pois como se diz no Alentejo "é o que levamos desta vida". A cozinha de autor, moderna e sofisticada, casa de forma perfeita com os melhores ingredientes da tradição alentejana, onde as ervas aromáticas e o azeite têm lugar de destaque. E tudo isto, como não podia deixar de ser, regado com os melhores nectares das terras alentejanas, cuja oferta é imensa. Na primeira visita o eleito foi um Esporão Reserva 2007, o que resultou num casamento perfeito, tendo desta vez a escolha recaído no Cartuxa 2007 ao que nos saiu o jackpot, pois qual não foi a nossa surpresa quando nos trouxeram um exemplar de 2006 que por lá andava esquecido. Simplesmente memorável.
É ainda um local relativamente desconhecido, só os conhecedores da boa mesa o conhecem, mas merece mais, muito mais que outros ditos gourmet que pululam pela imprensa, pela magnífica experiência que proporciona. A minha visita seguinte está já agendada para as próximas férias!

Para abrir o apetite podem visitar o site oficial ou a página no facebook.

sábado, 11 de agosto de 2012

Sobre as boas intenções do socialismo

As férias lá na terreola começam a tornar-se cada vez mais agridoces, pois se à alegria de voltarmos temporariamente a casa junta-se a amargura de ver a vermos cada vez mais triste. Elvas é neste momento praticamente um deserto. Sem empregos, sem dinheiro, sem diversões e sem ideias. Mas mais grave: sem pessoas.
Aqui há uns anos a cidade tinha uma das vidas nocturnas mais agitadas do Alentejo, principalmente no Verão, com as noites aos fins de semana a fervilharem de movimento. A influência de nuestros hermanos sempre se fez sentir e como tal o elvense sempre foi dado a folias. Até que a Câmara Municipal, sempre zelosa do conforto dos seus cidadãos à boa maneira socialista, decidiu reduzir o horário da zona nocturna por excelência - a Cidade Jardim - até à meia-noite, compensando com a autorização para os bares do Coliseu encerrarem mais tarde (afinal este tinha que ter alguma utilidade além de ostentar o nome de tão zeloso autarca e um concerto ou outro de tempos a tempos). Aparentemente uma boa decisão, já que estava a defender os moradores da zona, começa agora a revelar suas as verdadeiras consequências. Acabar a noite à hora em que a mesma está a começar, principalmente no Verão, não é lá muito boa ideia e desanima qualquer um a alinhar. É verdade que depois da meia-noite sempre podemos ir até ao Coliseu, mas a distância do mesmo não ajuda e já que a malta tem que pegar no carro o mais certo é rumar a Badajoz onde a oferta é maior, já que apenas quatro bares (!?) não é coisa lá muito diversificada. Resultado: a Cidade Jardim está moribunda e dos bares do Coliseu, segundo me contaram, resta apenas um. Não há vida nocturna em Elvas. As consequências económicas não são, assim, de desprezar.
Sem consumo não há circulação de dinheiro na cidade, a não ser que o Município ignore que um bar é um negócio como qualquer outro que arrasta consigo uma série de fornecedores; por outras palavras: cria e ajuda a criar empregos. Numa cidade onde pouco ou nada há para fazer sobra o tempo para beber umas cervejolas, mas, se nem isso uma pessoa consegue fazer a malta vai para outros locais onde gastar os seus Euros e o seu tempo. Badajoz agradece.
Já sobre o comércio nem sei que dizer. Há pouco mais de uma década os cidadãos espanhóis enchiam as ruas do comércio elvense, disputando as lojas com elvenses e vizinhos de outras localidades. Aos sábados de manhã era quase impossível andar a pé nas ruas da cidade. Havia oferta e diversidade. Tudo isso desapareceu. A falta de competitividade dos comerciantes existe, a sua não modernização e acompanhamento das tendências é uma realidade, mas não explica tudo. A cidade acompanhou as tendências de "modernização" que assolam todas as cidade históricas do país: restauros e requalificações, que na sua maioria não são mais que betão para votante ver e restrições à circulação automóvel, muitas restrições, desde vias com novos sentidos, proibições, supressão de lugares de estacionamento gratuitos à porta de casa e sua substituição por parques pagos uns quarteirões abaixo (esta é o socialismo no seu esplendor), etc. Ou seja toda uma miríade de boas intenções que visavam defender o bem público. Mas Elvas não é uma metrópole com uma moderna rede de transportes públicos, o seu centro histórico ainda tem uma dimensão considerável e uma população bastante envelhecida, pelo que limitar a circulação de pessoas é limitar a circulação de dinheiro. Se também aqui temos que pegar no carro e estacionar longe do nosso ponto de interesse, mais vale fazê-lo onde há mais oferta e qualidade. Mais uma vez Badajoz agradece. Por isso as decisões políticas devem sempre ter em conta as características e idiossincrasias próprias do meio em que se inserem. E as pessoas ainda se perguntam o porquê da recente deslocação do comércio e serviços para os subúrbios como a já referida Cidade Jardim.... Dirão que me esqueço da crise que todo o mundo atravessa. Pelo contrário, a crise tem tudo a ver com a pasmaceira que se vive em Elvas. O que atrás referi não explica tudo, mas ajuda e muito; o problema está que se a uma crise juntamos restrições à actividade económica então temos traçado o caminho perfeito para o desastre.
Diz o povo que de boas intenções está o inferno cheio. E o socialismo também, digo eu.

PS: resta o consolo e a esperança na recente nomeação da cidade a Património Mundial, mas este titulo por si só nada significa se não se trabalhar para o dar a conhecer.

domingo, 5 de agosto de 2012

A minha leitura nas férias

"Se o seu rendimento for o mesmo quer o leitor trabalhe duramente ou não, que razões terá para trabalhar duramente? Porque há de fazer o esforço de encontrar o comprador que mais valorize aquilo que tem para vender, se isso não lhe trouxer qualquer benefício?  Se não houver recompensa alguma para a acumulação de capital, porque há de alguém adiar aquilo que pode desfrutar agora mesmo? Porquê poupar? Como poderia alguma vez o capital físico existente ter sido alguma vez construído apenas na base da contenção voluntária dos indivíduos? Se não houver gratificação para a conservação do capital, porque não hão de as pessoas dissipar qualquer capital que tenham acumulado ou herdado? Se se impedir que os preços afectem a distribuição dos rendimentos, não poderão ser usados para outros fins. A única alternativa é a planificação da economia. Uma qualquer autoridade terá que decidir quem deve produzir o quê e quanto. Uma qualquer autoridade terá de decidir quem deve varrer as ruas e quem deve gerir a fábrica, quem deve ser o polícia e quem deve ser o médico. (...)
Quando todos possuem algo, ninguém o possui, e ninguém tem interesse directo em manter ou melhorar o seu estado de conservação."

Milton Friedman, Liberdade para Escolher (Lua de Papel)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Stand-by

A partir de amanhã esta casa fecha para descanso do pessoal durante duas semanas, para umas merecidas férias.

A gente vê-se por aí.

sábado, 7 de julho de 2012

Notas soltas sobre um país visto ao longe

O caso da licenciatura do Ministro Relvas mostra como somos um país de doutores. Não importam as competências pessoais e profissionais, num país desprovido de mérito só conseguimos ser reconhecidos com um canudo na mão. Jogo de aparências, complexo de inferioridade, sociedade de castas, chamem-lhe o que quiserem, na realidade é uma sociedade sem valores, que reconhece as pessoas pelo titulo que ostentam e não pelas suas  capacidades. Relvas apenas seguiu a corrente.

Enfermeiros contratados a quatro euros à hora não devia chocar ninguém. Já analisaram a quantidade de vagas em enfermagem disponíveis todos os anos nas universidades? Estamos perante um simples caso de oferta e procura, nada mais. O desfasamento entre a oferta educativa e o mercado de trabalho em Portugal é brutal, mas continuamos alegremente a assobiar para o lado enquanto nos escandalizamos pelos baixos salários de uma horda de licenciados desnecessários. Não há inocentes nestes casos. Que sirva, pelo menos, para repensar todo o sistema de ensino superior, onde a asneira começa no sistema de acesso que empurra milhares de estudantes para cursos que não queriam como primeira opção, bem como desnecessários ao nosso mercado tal a enormidade de vagas disponíveis. Grande parte da nossa crise passa por aqui, onde a muitas bolhas acabámos de juntar a da educação.

O General Romano Galba escreveu que "Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo que não se governa, nem se deixa governar". Bem podia estar a referir-se à actual situação do país e em particular ao recente acórdão do TC sobre os cortes no subsídios da função pública. Em Portugal o homem sonha, o Governo decide e a Lei limita. Há décadas que assim é. Pelo menos talvez assim quem nos governa comece a trabalhar a sério, ao invés fazer sempre as coisas pelo caminho mais fácil. O facilitismo é o caminho dos incompetentes e dos fracos e destes não reza a História a não ser por maus motivos. Há muito por onde cortar sem ser àqueles que mal têm para comer e pagar as contas do lar. Não o fazer é alimentar a monstruosa mentira que o Estado português gasta correctamente o dinheiro dos nossos impostos.

A contestação saiu à rua. Não há dia em que não haja gritos e insultos a qualquer membro do governo onde quer que ele vá. Não que seja injusto, mas dizem que Paris nesta altura do ano é muito agradável. Acho que a malta anda a reclamar a factura ao funcionário errado, se bem que este até agora não mostrou lá muito serviço, já que a casa está a ser gerida em regime de outsoursing (leia-se Troika). Mas quem nos governa ou é muito honesto ou muito ingénuo, caso contrário, para acalmar os ânimos à malta, já tinham prometido um plano de crescimento conjugado com um plano tecnológico, um aeroporto em Curral de Moinas, uma plataforma logística em São João da Murrunhanha, e sei lá, talvez mais 150 mil empregos, não?

domingo, 1 de julho de 2012

Elvas Património Mundial

Há muito que devo um post dedicado à minha terra natal, pelo que a nomeação ontem das suas muralhas a Património Mundial é a oportunidade perfeita.
Sempre disse que Elvas é a cidade com mais pontos turísticos de interesse do Alentejo, mas foi sempre, incompreensivelmente, ignorada pela maioria, pelo que ontem fez-se justiça e esperemos que o quadro mude de figura. Não acreditam? Vejamos: é a maior cidade fortificada da Europa, tem o maior conjunto de fortificações do mundo e o maior Aqueduto da Península Ibérica.
O Forte de Nossa Senhora da Graça (Séc. XVIII), o Forte de Santa Luzia (Séx. XVII) e o Fortim de São Pedro constituem pontos obrigatórios e são marcos da nossa arquitectura militar e da sua importância histórica na defesa do Reino. O Aqueduto da Amoreira é, na minha opinião, o ex-libris da cidade. A sua construção iniciou-se no Séx. XVI, tem uma extensão de cerca 8 Kms, uma altura máxima de 31 metros e 843 arcos. Está situado à entrada da cidade, recebendo de forma imponente quem a visita. Para complementar temos todo o centro histórico entre as muralhas seiscentistas, que é um verdadeiro museu a céu aberto. 
Entre pelo Viaduto que faz a ligação entre a parte nova e velha da cidade e inicie a visita pela Praça da República onde fica Sé de Elvas (Séc. XVI), suba até ao Castelo Medieval (séc. XIII) e deleite-se com a vista de cortar a respiração, de seguida embrenhe-se pelas ruas e ruelas da parte mais antiga da cidade, num passeio inesquecível a respirar outros tempos, e desça até ao Largo de São Domingos onde está a Igreja do mesmo nome, cujo início da construção remonta ao séc. XIII, é um dos raros exemplares da arquitectura gótica em Portugal; siga junto às muralhas pela Avenida de São Domingos em direcção às Portas de Olivença, outro ponto de entrada para entre os muros, continue junto ás muralhas até à Praça 25 de Abril e lá chegado suba ao miradouro junto à Capela de Nossa Senhora da Conceição, onde ficam também as Portas da Esquina. A vista mais uma vez é fabulosa e pode ver o Aqueduto, o Forte da Graça, bem como uma fantástica panorâmica da cidade. 
Depois aproveite mais um passeio pelas ruelas do centro até à Torre Fernandina (séc. XIV). Há muitos mais pontos de interesse histórico em Elvas, mas deixo à curiosidade do leitor a sua descoberta quando visitar a cidade. Além de História, se for um interessado por Arte, tem muito por onde escolher, entre o Museu da Fotografia, o Museu Militar do Forte de Santa Luzia, o Museu Militar no Antigo Regimento de Infantaria ou o Museu de Arte Contemporânea.
Depois de tudo isto e como a cidade não é pequena será hora de reconfortar o estômago e não há local melhor para isso no Alentejo. A 17 Kms da cidade, na aldeia da Terrugem fica A Bolota, verdadeiro ex-libris da cozinha alentejana e um dos melhores exemplos da boa mesa em Portugal. Na aldeia de Vila Fernando é também obrigatória uma paragem da Taberna do Adro, tal como o Restaurante Pompílio na aldeia de São Vicente, sendo excelentes exemplos da melhor tradição alentejana. Se a sua preferência vai para os pratos do mar também não ficará desiludido, pois entre o Ti Catrina e o El Cristo pode optar entre o melhor peixe fresco e o melhor marisco, respectivamente, da região. Em qualquer destes casos atrás citados prepare a carteira pois a qualidade assim o obriga, no entanto a oferta da cidade é tão rica e variada que há para todos os gostos e bolsas.
Como cidade de fronteira e local de passagem a oferta hoteleira é também variada e para todos os gostos, onde destaco a Quinta de Santo António, o Hotel D. Luís ou o Hotel São João de Deus, sendo apenas de lamentar o recente encerramento da mais antiga Pousada do país (que esperemos o Grupo Pestana repense depois deste reconhecimento pela UNESCO).
Feita esta breve introdução resta-me desejar bom passeio a quem ainda não conhece um dos mais interessantes locais do Alentejo, muito diferente de tudo o que há na região. Elvas é única.

Nota: alguma imagens são da minha autoria, outras são do Blogue Fotógrafos de Elvas.

sábado, 30 de junho de 2012

Elvas é Património Mundial!


Hoje, Sábado, 30 de Junho de 2012, fica definitivamente na história e no coração de todos os elvenses, que vêm as fortificações da sua cidade receber tão distinta nomeação da UNESCO.
Fez-se justiça, Elvas merece e quem a conhece sabem que assim é. Portugal e o Alentejo juntam assim mais uma nomeação ao seu rico portefólio de locais que são Património Mundial.
Não conhecem? De que estão à espera?!

Reflexão sobre Angola, Portugal, o trabalho e outras coisas

Depois de uns meses em Angola sem pausas e com as terras da Lusitânia a cheirarem a verão o cérebro começa a entrar em default.
Como é a vida em Angola? Costumam perguntar-me amiúde. Numa palavra: cansativa. Mas também gratificante. Para um habitante das terras do hemisfério norte, que toma por seguro e garantido coisas banais como água na torneira e energia eléctrica, chegar a casa numa sexta-feira depois de um dia de trabalho e não ter energia e o gerador ir à vida não é fácil e pode ser um verdadeiro pesadelo. Há que ter estofo. Aqui nada é garantido e tomar um duche de chuveiro chega a ser um verdadeiro luxo depois de 15 dias sem água da rede. Mas a melhoria é notável, pois há 5 anos atrás a situação era muito mais difícil, afinal reconstruir um país depois de 30 anos de guerra é tarefa hercúlea (e os Angolanos estão de parabéns pelo que têm feito até aqui).
Depois o trânsito. Lento e caótico. Vivo a cerca de 2 km apenas do local de trabalho e já demorei uma hora para chegar a casa. A pé demoro apenas 10 minutos. É quase impossível marcar compromissos a horas certas, a incerteza é a única certeza. Seria no entanto injusto não dizer que melhorou; as novas vias facilitaram muito, a sinalização é mais eficaz e a policia de trânsito tem um papel importantíssimo na circulação rodoviária. Há locais onde os agentes reguladores são autênticos heróis, pois na sua ausência é impossível circular.
Depois o trabalho em si. Não deixa de ser irónico num país onde, por conjuntura da reconstrução das infraestruturas, as coisas acontecem devagar, mantermos um ritmo de trabalho endiabrado. Se julgam que nas economias avançadas se trabalha depressa venham conhecer Angola; aqui é tudo para ontem. Talvez seja a crise permanente que se vive em Portugal que obriga as nossas empresas aqui a compensar as perdas de lá; não sei, ou talvez o facto de um expatriado não ser barato, o certo é que aqui trabalha-se e muito. Mesmo. Ainda por cima para quem escolher uma das profissões mais stressantes do mundo... Se os transportes e logística na Europa já não são fáceis, aqui a coisa só vista, porque contada ninguém acredita. Afinal, como diz um velho amigo director de uma agência de navegação: "toda a actividade económica depende de nós, mas, ao mesmo tempo, ninguém dá por nós, somos os low-profilers da economia". Um exemplo da dependência? Cerca de 200 emails recebidos por dia e pelo meio-dia a memória do telefone já esgotada entre chamadas recebidas e efectuadas... É obra!
Por tudo isto, Angola não mata, mas mói. Quando vou de férias tenho o cérebro literalmente em água. Mas ao mesmo tempo é deveras gratificante, pois com todas as dificuldades do meio ganhamos competências inimagináveis para quem vive no conforto do hemisfério norte. Ganhamos uma visão da organização a 360º, a gestão ganha uma nova dimensão e aqui, melhor que em qualquer lugar, percebemos Mintzberg quando diz que o gestor não deve estar acima na organização num organograma em 2D, mas sim bem no centro num esquema em 3D. E ainda nos tornamos criativos. Quando a internet vai abaixo, quando o sistema do banco não funciona, quando o Porto não consegue localizar aquele contentor tão importante, só com muita imaginação atingimos o sucesso. É por estas e por outras que costumo brincar a dizer que se os expatriados em Angola regressassem todos ao mesmo tempo para Portugal iriam contribuir ainda mais para o desemprego, pois cada um podia substituir vários quadros de uma assentada. Não por acaso um amigo que regressou há pouco ouviu dos colegas para ter mais calma e ir mais devagar porque o trabalho não acabava e havia mais pessoas que o podiam fazer... Talvez por isso a pergunta do milhão é porque não trabalhamos nós em Portugal desta forma e deixámos o país entrar em falência? Os salários explicam alguma coisa, mas, certamente, não explicam tudo.

sábado, 23 de junho de 2012

A nossa cauda curta


"A economia focalizada no hit, (...), é o resultado de uma época em que não havia espaço suficiente para levar tudo a todos: não havia espaço suficiente nas prateleiras para todos os CD, DVD e jogos de video produzidos; não havia canais de televisão suficientes para transmitir todos os programas; não havia ondas radiofónicas para criar toda a música criada; e muito menos horas suficientes num dia para inserir tudo na programação.
Este é o mundo da escassez mas, agora, com a distribuição e comércio online, estamos a entrar no mundo da abundância. As diferenças são profundas. (...)
A grande maioria dos produtos não está disponível numa loja perto de si, pois a economia do comércio tradicional focalizado nos hits vê-se na necessidade de limitar a escolha. Quando se torna possível diminuir drasticamente os custos de conexão entre a oferta e a procura, isso muda não apenas os números, mas toda a natureza do mercado. Não se trata de uma mudança meramente quantitativa, é também qualitativa. A acessibilidade nos nichos revela a procura latente de conteúdo não comercial. Depois, à medida que a procura transita para os nichos, a economia que os providencia irá melhorar ainda mais, e assim por diante, criando uma espiral de feedback positivo que irá transformar indústrias inteiras - e a cultura - nas próximas décadas."

Chris Anderson, "A Cauda Longa" (Actual Editora)
Nota: negritos meus.

Este livrinho de Chris Anderson devia ser leitura obrigatória em Portugal para percebermos de que se fala quando os nossos líderes acenam com os chavões da competitividade, produtividade, necessidade de diversificar e exportar. Falar por falar sem fazer não paga imposto e como tal a verdade é que temos um país de cauda curta. Há demasiado tempo.
Pelas frases acima descritas é torna-se mais claro o porquê da nossa terceira falência em três décadas. Enquanto mantivermos a ditadura dos monopólios e o proteccionismo aos instalados não sairemos da cepa torta; iremos manter-nos arcaicos, atrasados e obsoletos. Não perceber que a única ditadura a existir deve ser a do consumidor, e que só providenciando a este uma verdadeira e abundante liberdade de escolha a nossa economia florescerá, é esperarmos uma nova vinda do FMI daqui a uns anos. As empresas exportadoras já perceberam isso, falta mudar o paradigma cá dentro.
Manter a clientela satisfeita é para quem compra, não para quem vende. A satisfação do cliente no nosso país não passa de papel nas universidades; vide como exemplo disto as telecomunicações e a energia. O suposto liberalismo de um Governo devia passar obrigatoriamente por aqui e não apenas por reduzir salários e aumentar impostos - que encurtam ainda mais a cauda pela redução da liberdade de escolha - por imposição de uma troika qualquer.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Perguntas antes da meia-final

É impressão minha ou acabámos de dar um verdadeiro bailinho dos checos?

Não sendo falsa modéstia, serei só eu a julgar que Portugal é a selecção que está a jogar o melhor futebol deste europeu?

Agora é que acabou a crise?

domingo, 17 de junho de 2012

Coisinhas boas do Alentejo: Herdade da Malhadinha Nova


Se ontem revelei o meu vinho de eleição hoje recomendo vivamente conhecer onde é produzido: a Herdade da Malhadinha Nova, em Albernoa (Beja).
É um dos tesouros mais bem guardados do Alentejo e uma escolha turística de eleição. Ali não há meias medidas e tudo é feito com esmero e dedicação, o que só pode resultar em excelência. Em plena planície alentejana surge este pequeno oásis, onde nos podemos deleitar com fabulosos vinhos, visitar a adega e as vinhas, relaxar no Spa ou optar por diversas actividades como a pesca, passeios de moto quatro ou a cavalo, bem como desfrutar da fantástica cozinha do Restaurante Gourmet
E que restaurante! Em local algum, dos que já visitei, a cozinha tradicional alentejana casa de forma tão magnífica com a modernidade da cozinha de autor, onde os fabulosos vinhos da casa são o complemento perfeito. Aqui uma refeição é toda uma experiência sensorial, que merece ser apreciada devagar e com tranquilidade, como mandam os cânones alentejanos. A decoração é moderna e minimalista, mas sóbria e elegante, e as paredes da sala principal são de vidro, um detalhe delicioso que permite a vista para a horta e uma luminosidade fantástica. Todos os ingredientes vêm das terras da Herdade, o que é uma garantia de frescura e qualidade ímpar. Para termos uma ideia da coisa diga-se que Bruno Antunes, Chefe Residente, conta com o auxílio de Joachim Koerper, em cujo currículo figuram uma série de restaurantes com estrelas Michelin, o qual afirma sem rodeios que a cozinha alentejana é a melhor de Portugal e uma das melhores do mundo. Não é para qualquer um.
Se não é o local perfeito, para conhecer o melhor do Alentejo, andará lá perto.

sábado, 16 de junho de 2012

Vinhos do Alentejo: as minhas escolhas (1º)


Malhadinha Tinto (Albernoa, Beja)

Qualquer adjectivo seria pequeno para esta maravilha da Herdade da Malhadinha Nova.
Simplesmente único; não há igual. Não o conhecer é pecado.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Cada um sabe de si e o Estado sabe de todos

Depois das lições de higiene da ASAE, do fumo no local onde almoçamos fora de casa, do fumo nos nossos carros, das taxas de segurança alimentar, da escolaridade com idade obrigatória e das finanças nas operações STOP, eis que a DGS quer proteger as nossas crianças dos acidentes domésticos.
Estupidifiquemos então e deixemos correr a irresponsabilidade, que sua santidade o Estado lá estará a vigiar-nos, quais imbecis incapazes. Além de cada vez mais sermos apenas meros contribuintes, ainda somos tidos por tolinhos que não sabemos cuidar de nós e daqueles que nos são mais próximos. Começo a compreender o porquê de enquanto povo não reclamarmos por mais liberdade e permitirmos cada vez mais atrozes atropelos à nossa privacidade: se falharmos não será por nossa responsabilidade, mas de quem prometeu proteger e guiar-nos. É mais fácil. Talvez por isso nos lamentemos e adoremos tanto o nosso fado ao invés de fazermos e trabalharmos para o nosso bem individual e por acréscimo comum. A nossa desgraça no fim de contas é sempre culpa de outro. Afinal foram anos de mão estendida a quem nos incentivou, estimulou, financiou e subsidiou. Já lá vai quase um século que andamos nisto.
Mas os malvados são os liberais, esses sacanas que nos querem atirar à nossa sorte. Sermos responsáveis pelo nosso destino? Era o que faltava! Afinal se pagamos taxas, taxinhas e impostos é para algo: cuidarem de nós. A continuar assim mais vale qualquer dia entregarmos as chaves de casa, do carro, a tutela dos nossos filhos, deixarmos de estudar, abdicar da dedicação no trabalho (aqueles que não o têm é deixarem de procurar) e não pagarmos impostos. Entregamos o salário por inteiro ao Estado e governem-nos. Aproveitamos a deixa e acabamos logo com os dois maiores flagelos de Portugal: os ricos e os pobres.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ouvi dizer que Deus processou esta banda por plágio(*)



(*) Comentário ao video no Youtube

Nenhum tema como este, dos Sigur Rós, para me acalmar o espírito e elevar a alma.

domingo, 10 de junho de 2012

10 de Junho


Imagem daqui.

Me cago en la leche!

E pronto, conforme há muito se adivinhava nuestros hermanos estenderam a mão: nada mais nada menos que 100 mil milhões, só para a banca.
Como a economia deles não é a nossa, nem a Grega, outro galo canta, pois consta que não terão condições tão apertadas como os restantes. A ver vamos, pois o resgate Irlandês também foi para sanear uma bolha financeira e o povo é quem está a pagar; muito temo que a coisa não seja assim tão simples e que "a crise da vizinha será pior que a minha"Ao contrário do que por cá se viu ali os responsáveis estão já apontados e há quem peça as devidas responsabilidades.

Agora venha o filme do costume de atirar as pedras aos malvados mercados, ao neoliberalismo, ao capitalismo e seus afins.
Surpreende-me como muita gente não compreenda ainda que neste sistema financeiro não podemos deixar cair um banco, pelo risco sistémico que comporta para os restantes, pelas constantes intervenções estatais na banca e não porque estes gozem de liberdade para a sua acção. Foi a constante intervenção estatal, muitas vezes directa (interferindo com a gestão da organização) ou através de incentivos ao crédito barato, ao investimento público, às PPP's e outros que tais que criaram a sensação "too big to fail". Isto é socialismo puro. Num sistema bancário saudável, tal como noutros sectores, só se evita o risco sistémico afastando por completo as intervenções estatais, por forma a que as organizações adoptem mecanismos e práticas de gestão que as protejam das asneiras dos outros. Se em qualquer empresa há um indicador básico para medir a sua exposição que diz que o peso de um cliente não deve ser superior a 15% do volume total das vendas, porque não adoptam os bancos princípios semelhantes ao invés de mergulharem de cabeça em activos de risco com enorme exposição? Não será porque sabem que existe um para-quedas estatal?
Reafirmo assim, aquilo que há muito venho defendendo: esta não é, em primeira instância, uma crise económica e financeira, mas sim uma crise de práticas de gestão, onde erram os governos que se metem constantemente onde não são chamados, esquecendo o seu papel de mero regulador ao invés de jogador, como erram as organizações que adoptam práticas de risco. No fim de contas pagamos todos uma factura demasiado elevada.

sábado, 9 de junho de 2012

As crónicas na Janela Indiscreta da Antena 1

Esta humilde casa foi o destaque desta semana.
Podem ouvir aqui.

Obrigado ao Pedro Rolo Duarte pelo destaque.

Agradeço igualmente ao Daniel Santos por me ter dado a notícia via email.

Vinhos do Alentejo: as minhas escolhas (2º)

Quinta do Carmo (Estremoz)


Estremoz tem muitos e bons vinhos, sendo, na minha opinião, a Quinta do Carmo o seu ex-libris.
A Quinta foi propriedade da prestigiada casa Lafite Rothschild, que apurou um dos melhores vinhos da região.
Encorpado, aromático, com boas notas de madeira, grande personalidade, complexo e um soberbo final de prova, é um vinho excepcional em todos os aspectos.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Vinhos do Alentejo: as minhas escolhas (3º)

José de Sousa (Reguengos de Monsaraz)


Chegamos ao pódio das minhas escolhas e para entrar nada como um vinho totalmente diferente da maioria.
José de Sousa Tinto é feito recuperando o método ancestral de fermentação em ânforas de barro, utilizado na antiguidade em terras Alentejanas. Daí resulta um vinho muito aveludado, com taninos muito suaves, mas com corpo e aromas esplêndidos que persistem num excelente final.
Se o deixarem envelhecer revela toda a sua elegância; este ano tive a sorte de provar um de 2006 e estava simplesmente soberbo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

António Borges, os salários e a gestão num país falido

António Borges (ex-quadro do Goldman Sachs, logo o demo) referiu que reduzir salários em Portugal não será uma política, mas sim uma urgência e logo um coro de indignados se levantou.
O que está em causa neste momento em Portugal não é o nível dos salários, se são altos ou baixos, mas sim a impossibilidade que as empresas têm de reduzir os mesmos, como forma de redução de custos em períodos de crise, sobrando apenas o despedimento como alternativa para o efeito. As empresas podem reduzir a margem nas vendas para manterem o seu volume? Podem, mas o mais certo é aumentarem o custo das mesmas, quando o deviam reduzir e não o podem fazer por impossibilidade de negociação com os trabalhadores. Diz-se que os custos com o trabalho diminuíram; certamente que sim, mas não com os trabalhadores no activo, apenas com os (poucos) novos contratados, pois a redução do custo com os que estão no activo é o despedimento! Não perceber isto é não perceber minimamente com se gere uma empresa.
E trazer para esta discussão o salário de António Borges, ao invés das ideias do mesmo, é conversa para boi dormir e tapar o sol com a peneira. Até porque para deitar mais lenha para a fogueira podíamos até imaginar como andaria o desemprego se houvessem pessoas dispostas a trabalhar por menos que o salário mínimo nacional. Ficaríamos a China da Europa? Só por manifesta má fé se pode dizer tal coisa, ou ainda não percebemos que estando na Europa temos de nos comparar é com a Alemanha ou Holanda? Portugal só crescerá pela qualidade do seu trabalho, nunca pela quantidade. Nem de propósito a Troika deixou hoje mais algumas recomendações nesse sentido.

sábado, 2 de junho de 2012

Vinhos do Alentejo: as minhas escolhas (4º)

Herdade dos Grous (Albernoa, Beja)


Se há região que tem vindo a surpreender meio mundo com vinhos de excepção é o Baixo Alentejo e para o provar este é um dos melhores exemplares.
Cheio de carácter, complexo, sofisticado, extremamente elegante e pleno de aroma.