quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A caminho da Lusitânia (que é como quem diz de férias!)


(Imagem via net)

Amanhã é dia de fazer as malas e rumar a casa para mais umas, mais do que merecidas, férias nas plácidas planícies do Alentejo.
Foi um ano deveras difícil, pois Angola não é imune a crises, com muito trabalho, imensos desafios, mas extremamente gratificante pelas conquistas e vitórias alcançadas. Estou com o cérebro em piloto automático tal o cansaço que carrego, mas extremamente satisfeito pelo trabalho reconhecido, já que todos os objectivos foram ultrapassados. Aqui o mérito ainda é recompensado. O ano que vem promete e se Deus quiser aqui estarei para o comprovar. Mas até lá, como diria o outro, estou-me marimbando para a economia, para a política, para a crise e afins. Nestes quinze dias quero é saber do bacalhau com todos, do vinho tinto, das filhoses e do bolo rei, saboreados partilhando uma lareira na companhia daqueles que nos são mais queridos. Portanto até Janeiro esta casa está fechada.
Ao contrário do nosso Presidente, como sou exigente, não quero um 2012 tão bom quanto possível, portanto a todos os portugueses, onde quer que se encontrem, desejo um Santo Natal e excelente Ano Novo!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Passos Coelho quer professores portugueses nos musseques?

Passos Coelho continua a mostrar que é tão sincero quanto ingénuo.
A recomendação para os professores emigrarem faz todo o sentido, mas daí a sugerir Angola é um passo para a idiotice, pois só quem não conhece a realidade pode sequer imaginar tal coisa.
Para quem quer ter uma imagem da escola pública angolana pode ler esta notícia.
Pode-se argumentar que existem privados. Pois existem. Mas duvido que a Escola Portuguesa, o Colégio Português ou o Colégio São Francisco de Assis tenham vagas para tanto professor.
A não ser que o actual PM esteja a seguir a ideia de José Sócrates enviar 200 professores para Angola, que ainda não chegaram. Eles depois que se desenrasquem a pagar 3 mil dólares de renda mensal, a comprarem o gerador para terem luz, a electro-bomba para a água ou a deslocarem-se numa cidade sem transportes públicos...

No coração das trevas

"La República Democrática del Congo (RDC) ha sido llamada “la capital mundial de las violaciones”. Diferentes estudios y estadísticas arrojan números difíciles de comprender. Cuatro mujeres violadas cada cinco minutos según uno publicado en junio por el American Journal of Public Health, que afirmaba que se producían unas 400.000 violaciones al año."

"Sólo este centro en Goma sigue recibiendo entre una y cinco víctimas al día, más de 1.000 desde marzo de este año. La mayoría son chicas de entre 12 y 16 años, aunque ha habido casos de niñas de 3 años violadas."


Ainda hoje ecoam as palavras de Kurtz proferidas na foz do Congo: "O horror! O horror!"
Até quando?

sábado, 17 de dezembro de 2011

Angola e o El Dorado ou como o disparate continua

Depois de durante anos a fio nos andarem a vender Angola como o El Dorado, até que deixaram um calote de 9 mil milhões de dólares só às construtoras, são agora nuestros hermanos a juntarem-se à festa e a publicitarem tal ideia no El País.
Ou as noticias chegam tarde a Espanha ou estes descobriram uma nova galinha dos ovos de ouro com a qual esperam trocar mil milhões de dólares, pois nesta altura do campeonato já todos sabemos que não há El Dorado algum, muito menos em Angola. O crescimento a dois dígitos é aliciante, os recursos abundantes, a necessidade de mão de obra é imensa, está quase tudo por fazer, mas prudência e caldos de galinha são o melhor remédio; não há dúvida que esta é uma terra de oportunidades, milhares de jovens, como eu, encontram aqui o que lhes falta na sua terra natal, mas daí a adjectivar Angola como um pote de ouro é um disparate completo.
Até Manuel Ennes Ferreira, professor do ISEG que de vez em quando manda uns bitaites sobre África no Expresso, escorrega na casca de banana afirmando que em Angola "há dinheiro, há financiamento e está tudo por fazer". Ora o Sr. Ennes Ferreira deve desconhecer que se o Banco Nacional de Angola proibiu desde Junho os estrangeiros não residentes de efectuar operações cambiais é porque afinal não há assim tanto dinheiro. E por algo o FMI recomenda o BNA a sujeitar a banca angolana a testes de stress, como se pode ler na edição desta semana do caderno de economia do jornal O País (sem link). Já para não falar que a dívida às empresas portuguesas ainda ronda os mil milhões (e sei de muitas empresas com grandes problemas de tesouraria devido a isso).
Mas pior que tudo são as pessoas que continuam a engolir ideias como esta, como comprova uma senhora, citada na notícia, que está em vias de chegar a Angola, porque em Portugal ganha 600 euros e aqui pagam o triplo. Ou esta senhora vem para aqui com alojamento e despesas inerentes, transporte, viagens a Portugal, seguro de saúde e alimentação incluídos ou então vem muito mal paga e não sabe onde se vai meter. Antes de partir à aventura, como diz outro dos portugueses citados na noticia, há que ter sempre presente a regra número um ao vir para Angola: isto não é uma aventura e o menor erro pode ser fatal e deixar marcas profundas. Este país é para homens de barba rija e exige uma cuidada planificação. O custo de vida é o triplo do europeu, os produtos nos supermercados custam, no mínimo, o dobro e pode não haver limite, um prato do dia, no restaurante mais barato, não custa menos de 25 usd e a juntar a isso esqueça a energia eléctrica sem gerador e a água canalizada sem electro-bomba, pelo que imaginem os custos e se um destes aparelhos avariar arme-se de paciência até encontrar um bom técnico que o repare à primeira sempre com preços de 50 usd / hora. Até o Sr. Ennes Ferreira, que diz que aqui há dinheiro, reconhece que há quem deprima ao fim de uma semana porque não suporta as dificuldades do meio e que o país não é para "meninas" (seja lá o que isso quer dizer). Luanda parece que está sempre empurrar-nos daqui para fora...
Não me interpretem mal, pois não estou a dizer que não vale a pena vir para Angola, tudo o contrário, mas cuidado com o que se lê sobre o país. A minha sentença é de que vale a pena vir, mas não esperem vida fácil nem tornarem-se ricos por estas bandas como anunciam estes títulos na imprensa. Sem dúvida que se a vinda for bem planeada vale bem a pena e recompensa, mas aqui trabalha-se muito (mesmo!) e vive-se em stress constante (a pobreza que entra pelos olhos dia a dia, o trânsito, as faltas de energia, de água, os serviços lentíssimos, a ausência de infraestruturas, etc), nenhuma empresa paga 5 ou 6 vezes mais para que se tenha o mesmo ritmo de trabalho que em casa, pois um expatriado é um pesado investimento que deve dar o devido retorno, no entanto a experiência que aqui se ganha, fruto das contingências do meio, em poucos lugares do mundo se consegue. Venham, mas venham para trabalhar e se é para enriquecer nem sequer façam as malas e dediquem-se antes à política onde parece que ainda há oportunidades.
Para finalizar e mostrar a perfeita idiotice destas notícias pergunto apenas porque não se diz que França, Brasil e EUA são também o El Dorado da emigração Portuguesa? É que vendo este gráfico, sobre o destino dos nossos emigrantes na última década, Angola nem sequer é referida. Mas tem petróleo e diamantes o que deve dar azo a muita coisa...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A austeridade e o "neoliberalismo"

Confesso que me sobem os calores sempre que leio alguém acusar de "neoliberal" a periferia da Europa pela austeridade aplicada que está a atirar as respectivas economias para o galheiro.
Como é possível ser "neoliberal" quando nunca se foi liberal? Acham que as economias mudam de paradigma como quem muda de camisa? Que eu saiba a austeridade está a ser aplicada por decreto, não está a surgir por geração espontânea, não há "mão invisível" alguma, aliás estão bem à vista as mãos que mexem os cordelinhos. É assim tão difícil perceber isto? E está a ser aplicada por decreto pelo mesmo motivo que os sucessivos governos socialistas do sul acreditavam que o crescimento económico também se decidia da mesma forma. Publique-se e depois logo se vê.
Foram governos socialistas que subsidiaram alguns a troco da espoliação imposta a todos, que apostaram no crescimento com o dinheiro dos outros, que metiam a mão em tudo o que luzia, que não se coibiram que misturar público e privado, que não se inibiram de criar empresas públicas com o dinheiro sugado pelos impostos aos privados para depois competir com estes, governos que assumem descaradamente o controlo de sectores fulcrais da economia dos respectivos países ao mesmo tempo que perseguem implacavelmente a criação de riqueza, pois acreditam que é a dividir que se multiplica, que prometiam um admirável mundo novo a troco de nada, feito de mera imagem, puro produto de marketing para parecer o que não se é; foram governos com prioridades como 150.000 empregos, Magalhães, SCUT's, TGV's para nenhures, aeroportos nos cus de judas, ventoinhas gigantes para electricidade mais cara, igualdade de género, abortos; governos dos direitos adquiridos sem antes conquistados e do dinheiro para cima dos problemas como solução.
Portanto, que parte do "estamos a pagar a factura a prazo deixada pelos socialistas com mais socialismo" é que ainda não perceberam? Austeridade?! O ideal seria um pouco de racionalismo, ou mesmo liberalismo, se hipótese houvesse. Mas isso seria pedir demasiado a quem acredita que o dinheiro cai do céu.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Leitura do dia

"Nós não estamos de facto a defender a nossa política ou as nossas crenças ou mesmo a nossa maneira de viver, mas simplesmente a nossa homogeneidade contra um governo federal ao qual em puro desespero o resto deste país teve de ir cedendo uma parte cada vez maior da sua liberdade pessoal e privada a fim de permitir os Estados Unidos. E evidentemente continuaremos a defendê-la. Nós (...) não sabemos porque é que ela é valiosa. Não precisamos de saber. Apenas poucos de nós sabem que só da homogeneidade vem alguma coisa de um povo ou para um povo com valor duradouro e permanente - a literatura, a arte, a ciência, esse mínimo de governo e polícia que é o propósito da liberdade política e pessoal e, talvez o mais valioso de tudo, um carácter nacional com certo merecimento em tempo de crise (...)."

(William Faulkner, in "O Intruso")

sábado, 26 de novembro de 2011

Tenham juízo, pá!

Com o ano a dar os últimos suspiros o cansaço acumulado já é mais que muito, facto que me obriga a colocar os neurónios em piloto automático, pelo que a paciência e capacidade para vir aqui mandar postas de pescada já não é muita.
A juntar a isso a festa diária, a que assisto à distância, no meu país deixa o cérebro de qualquer um a fazer tilt. Custa acreditar que estamos a assistir a um telejornal e não a uma qualquer novela mexicana de amores, traições e tragédias, ao mesmo tempo abrir um jornal on-line é quase o mesmo que mergulhar numa peça de Shakespeare.
Não sei se andam todos a brincar ou se a coisa é mesmo a sério, mas permitam-me um conselho de quem vê a nação à distância: tenham juízo.
Bem sei que a quem aí está a realidade morde com todos os dentes, pelo que tem conhecimento de causa, mas a quem está longe a imagem que chega é a de um grupo de baratas tontas, a disparar em todas as direcções, alucinadas e intoxicadas por uma miríade de factos e contractos, mera poluição sonora, que ofusca toda e qualquer capacidade de orientação e percepção, como se por vontade própria preferissem viver num espesso nevoeiro que oculte a realidade. E isto, permitam-me o abuso, aplica-se a quase todos, sejam eles governo, oposição, sindicatos, jornalistas, etc. Já que os portugueses sempre gostaram mais de parecer do que ser, pelo menos façam por parecer que têm juízo e que sabem o que andam a fazer. É que aquilo que eu vejo não somos só nós, os emigrantes, a ver, mas todos aqueles com quem convivemos por este mundo inteiro. Depois queixem-se dos ratings, dos juros, da nossa imagem, dos preconceitos, das cabalas e o diabo a quatro!
Se até nos musseques de Luanda, onde falta tudo, se diz à boca cheia que Portugal "tá passar mali, muto mali", imaginem o que não se diz por este mundo fora... Certamente que estamos a passar mal, só um louco diria que não, mas não temos porque não mostrar que sabemos o que andamos a fazer. Se é que alguém realmente sabe.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Pontaria


Não se arranja uma greve contra as agências de rating?
Vá lá, não custa nada. Perdido por um, perdido por mil.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pensamento do dia

"Um socialismo recheado de lantejoulas ofuscantes de modernismo, puro produto de marketing, que importa parecer, aparecer, mas nunca ser, de palavras, muitas, vazias e actos inúmeros de resultados nulos, excepto o empobrecimento colectivo de quem vota alarve, só pode resultar num retumbante fracasso para os seus acólitos.
Valha-nos pelo menos a certeza de que o socialismo termina quando o dinheiro dos outros acaba."

Atirei para a caixa de comentários deste post no Portugal dos Pequeninos.

domingo, 20 de novembro de 2011

Hoje a minha costela espanhola acordou bem disposta


Já podemos esperar bons ventos do país vizinho.

Natal não rima com tropical

Ontem acordei numa Luanda que insiste em não dizer adeus ao cacimbo, onde os dias se mantêm cinzentos e o calor persiste, mas aquele sufocante, que nos deixa a roupa colada ao corpo, tarda em dar o ar da sua graça.
Num país onde tanto há ainda por fazer não damos sequer pelos dias passarem, a azáfama é uma constante, parar parece proibido, há que compensar por estas bandas os fracos resultados obtidos noutros paragens. O cansaço nesta fase já é tanto que o dia-a-dia é passado em piloto automático, tendo o cérebro paragens momentâneas para lembrar apenas que não estamos em casa e recordar aquilo que não se esquece.
Como todos os sábados de manhã lá fui abastecer a dispensa a um conhecido supermercado da cidade. As ruas estavam estranhamente calmas, mais parecia que muita gente tinha abandonado Luanda, tal a tranquilidade do trânsito. Ao chegar ao local das compras o ambiente era algo diferente de outros dias. O parque de estacionamento estava praticamente vazio. Num local onde muitos estrangeiros fazem compras ontem estavam quase ausentes. No entanto havia uma azáfama estranha, com os funcionários a correr de um lado para o outro carregando caixas e caixotes. Eram as decorações de Natal.
Fiquei deprimido. Com o stress que carregamos aqui nem nos apercebemos da época do ano que se aproxima. E com este calor muito menos. Definitivamente Natal não rima com tropical. Menos mal que já faltou mais para as férias.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Elvas é uma canseira

A minha terra natal é tão agitada e tão interessante, que até este tipo de acontecimento é notícia.
Haja paciência compadres...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cavaco Silva e as oportunidades


Sem dúvida.

Os portugueses têm neste momento uma excelente oportunidade para emigrar, como fizeram aqueles a quem eram dirigidas estas palavras, e este para variar perdeu uma boa oportunidade de não fazer figuras tristes.

domingo, 13 de novembro de 2011

Lá vamos indo...



Ver que temos compatriotas espalhados pelo mundo, bem sucedidos, desde grandes multinacionais a instituições internacionais, há muito que me faz reflectir no que faltará ao nosso país, ou dito de outro modo, porque temos tanta dificuldade em reter os melhores?
Há tempos atrás numa discussão entre amigos, sobre a nossa baixa produtividade, um deles disse-me que lá fora somos devidamente compensados pelo esforço, por isso quando emigramos trabalhamos mais e melhor. É um ponto de vista, mas não creio que a coisa se resuma a isto, Portugal não será uma nação desprovida de mérito, se assim é falhámos redondamente. Outro dizia-me que os baixos salários não ajudam, também é verdade. Pessoalmente tive que passar a fronteira para ver o cheque no final do mês passar a ter 4 algarismos. Mas algo mais se passa... Creio que em Portugal temos mau karma. Carregamos o fardo do fado na alma, praticamente desde que nascemos, parece que o nosso inconsciente colectivo está orientado para voar baixinho. Ainda este fim de semana um parceiro de negócio dinamarquês me perguntava porque diabo nós portugueses temos mais horas de sol que qualquer país da Europa e somos os mais tristes. Boa pergunta. A mim sempre me fez espécie quando cumprimento alguém e me responde "mais ou menos", "lá  vamos indo...", façam um exercício e contem as respostas positivas, raríssimas vezes ouvirão uma resposta entusiasmante e positiva. Isto é a nossa maneira de estar.
Uma diferença abismal que encontrei quando trabalhei em Espanha foi o entusiasmo com que nuestros hermanos encaram o trabalho, a forma como sentem a organização, como vestem a camisola, a ambição e o empenho que colocam em tudo é impressionante e isto faz toda a diferença. Em Portugal, pelo contrário, a meta, na maioria das vezes, é chegar ao fim do mês, receber um salário e pouco mais. Falta ambição. Não por acaso o sonho de muita gente, ainda hoje por incrível que pareça, é um emprego na função pública. Porquê? A minha família chegou a dizer-me: "filho, pode não ser muito mas é certinho e seguro, o Estado nunca falha". Vê-se onde esta ideia nos trouxe. Em conversa com alguns jovens desempregados da minha terra natal, revoltados, eles não pedem muito, só pedem um emprego, trabalho, não pedem fortuna, apenas algo para pagar as contas ao fim do mês. O risco e a ambição não fazem parte do vocabulário. Veja-se como exemplo que em Badajoz irá abrir em breve um dos maiores centros comerciais da Península Ibérica, mas a primeira ideia a surgir é a oportunidade de emprego, a oportunidade de negócio não aparece em lado algum.
Talvez seja precisamente o ambiente Lusitano que fez os nossos antepassados fazerem-se ao mar em busca de melhor sorte, simplesmente para fugir de uma nação que pensa baixinho e tem vistas curtas. Portugal é deprimente. Doa a quem doer, mas esta é a grande verdade. Todos somos culpados, como é lógico, aqui não há inocentes, pois colocássemos nós o empenho que colocamos lá fora e talvez o país não estivesse neste estado. O retorno não é igual? Pois não, mas isso não explica tudo. É notória a falta de liderança no país, sejam eles empresários ou políticos, o empurrar os problemas com a barriga e a falta de coragem para enfrentar a realidade é quase um desígnio nacional, "amanhã logo se vê" (há vida depois do défice, mas depois da dívida...) como tantas vezes e em tantos locais se ouve, lá vamos deixando para amanhã o que podíamos fazer hoje; talvez por isso o meu patrão em Espanha dizia muitas vezes que Portugal era um país de futuro, pois deixávamos tudo para amanhã. E assim continuamos numa espiral de negativismo da qual será muito difícil sair, urge então uma mudança radical na nossa forma de estar. Claro que quando quem lidera não dá o exemplo e vemos o país (des)governado em direcção ao abismo é difícil, senão impossível, ter outro estado de espírito. Mas, caramba, acreditarmos em nós e sermos ambiciosos não paga imposto, mais baixo é impossível descermos, pelo que o único caminho é para cima. Vamos parar de achar que o Estado tem que dar tudo e mais alguma coisa, isso é típico de países do terceiro mundo, somos nós que temos que fazer por isso! Enriquecer não é pecado, dá trabalho e exige esforço, mas vale a pena, pois como dizia o meu amigo dinamarquês: "não devemos exigir um walfare state, não é isso que temos no norte, isso é uma falácia pois o Estado não deve ser assistencialista, devemos exigir um efficient state, que administre correctamente a coisa pública não gastando mais do que tem e deixe os privados ganhar dinheiro, só depois podemos falar em dar seja o que for". Mais simples impossível, assim todos compreendamos do que se trata. Já ouvi muitas vezes a critica, da boca de estrangeiros, que no nosso país passamos demasiado tempo a pensar, a discutir, a opinar, a estudar e muito pouco a executar. Qualquer empresário estrangeiro perde a cabeça no nosso país dado o tempo que as coisas demoram a acontecer. É sofrível. E não há maior exemplo disso do que quantidade de fazedores de opinião que pululam pelos nossos media, debitando bitaites sobre tudo e mais alguma coisa, principalmente criticando o que foi feito e denegrindo quem faz alguma coisa, mas nunca apontando uma solução e um caminho. São puro lixo tóxico, que cada vez mais me deixam enojado e sem coragem para ler um jornal ou ouvir um debate na TV. Chega a ser freudiano o nosso sado-masoquismo.
Não há nada mais forte no mundo que uma ideia positiva, portanto creio que é hora de pararmos de tapar a luz ao fundo do túnel com a peneira, pois sol é algo que temos com fartura e ninguém o pode tapar. E deixem-se de ideias parvas como o empobrecimento como solução, que de ideias pobres está o país farto. Ninguém enriquece a empobrecer, mas sim a assentar os pés na terra, pois com a cabeça no ar ninguém vê o caminho à sua frente.

sábado, 12 de novembro de 2011

O dedo na ferida

"Sejamos sérios. É notável a capacidade logística dos sindicatos. A capacidade de organização e mobilização das gentes. Como também é notável a energia e a vontade que os manifestantes põem nestas jornadas de luta. Fizessem a mesma coisa nos respectivos locais de trabalho e o país não estaria neste estado."

domingo, 6 de novembro de 2011

A crise vista pelo povo

"Crise??? O que é isso??? Hoje fui tomar café a um restaurante muito conceituado aqui no alentejo. Só vi Porches, BMW, Audis, Mercedes e descapotáveis uma coisa que me faz confusão (...)"

O resto deste extraordinário indicador do estado da nossa crise pode ser lido aqui.
Este é o típico comentário do povo, onde se vê que afinal a crise não é coisa por ali além, se é que existe mesmo, pois continuam a ver Porches, BMW's e Audis... A coisa toma proporções assustadoras, por si só, ao constatarmos que continuamos a negar o óbvio e a não aceitarmos a dura realidade em que o país mergulhou. Para o português típico não sei o que significará "crise", pois está visto que não será pela falência do país, eliminação de subsídios, emigração em massa e desemprego galopante que a coisa lá vai. O que será preciso para acreditarmos na crise? Sermos uma Somália ou Burkina Faso? Lá também existem Porches e BMW's ou pensam que não?!
E isto é tão mais perigoso que esta gente, particularmente no Alentejo, continuar a revelar uma profunda ignorância sobre a ordem natural das coisas, pois crise não significa não haver ricos e ficarmos todos pobres (bem sabemos que na realidade isso é o sonho de qualquer comunista de gema que inveja o rico não pela sua riqueza, mas para que ele desça ao seu patamar de pobreza), mas sim que a aparente "riqueza" que a nossa classe média alcançou era fictícia, alimentada por um socialismo que tudo prometia a troco do que não tinha. A factura chegou e o resultado está à vista. Mas apesar de tudo continuarão a existir Porches, BMW's e Audis, mesmo que comprados a crédito. Pena que a malta não perceba isso.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

De quem descendem os Portugueses?

Uma anedota resume bem a coisa:

"Um jovem diplomata português desabafa com um colega mais velho:
- Francamente, senhor Embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história.
Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que descobriram o Brasil, que viajaram por África e pela Índia, que foram até ao Japão, e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e traços de cultura que ainda hoje sobrevivem em meio mundo e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental?!

O embaixador sorri:
- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.
- Não descendemos? - reagiu, perplexo, o jovem diplomata - Então de quem descendemos nós?
- Nós descendemos dos que por aqui ficaram..."

PS: dedicada com todo o carinho aos que bateram palmas a estas declarações no conforto da terra que os viu nascer.

domingo, 30 de outubro de 2011

Breve história de uma longa viagem (2)

Iniciada a viagem era tempo de conhecer o admirável mundo novo que se abatia sobre os meus olhos incrédulos e mente atordoada, pois nada nos prepara para as terras abaixo do "Coração das Trevas", a que alguém chamou "Os Cus de Judas".
Nas terras da Lusitânia as promessas de todas as mordomias e condições para desenvolver a actividade profissional foram imensas, tudo aquilo que um gestor pode desejar é prometido à porta de um qualquer avião na Portela com destino ao 4 de Fevereiro, mas quiçá pela duração da viagem com as suas longas 7 horas o quadro mude de figura e a conjuntura económica se altere de tal forma que não permita cumprir com o que ficou no papel. A adaptação não foi fácil. Nunca é. À dura realidade de um país com tudo por fazer bateu-me a realidade da pior cara dos nossos conterrâneos. A responsabilidade social é coisa linda de ser ver, mas apenas aplicável na aldeia onde se é rei, pois como olhos que não vêm coração que não sente, a mais de 5 mil kms de casa isso é coisa que não importa. Aqui revela-se a pior face de alguns dos nossos "grandes" empresários, tão preocupados em dar boas condições de trabalho que, entre outras coisas, chegam a transformar um pequeno T3 numa caserna de quartel tal a quantidade de beliches que por lá cabem. Certamente para fortalecer o espírito de equipa... Já para não falar na sustentabilidade, tão poupados que são nas viaturas da empresa e no gerador lá de casa, que transportes públicos e luz eléctrica são coisas que não faltam em Luanda. Fui literalmente atirado à minha sorte. Há que nos chame expatriados, eu senti-me desterrado. África esventra-nos, mostra-nos a nossa verdadeira essência, e eu vi e senti muita coisa abominável de quem menos esperava: daqueles que pisam o mesmo solo que nós, que nasceram nas mesmas terras, sangue do nosso sangue. Mas a vida é uma aprendizagem constante, um viagem que a cada paisagem nos ensina algo para o caminho que temos pela frente e se o trilho que escolhemos foi o errado há que arrepiar caminho e recomeçar a marcha. O regresso foi inevitável. As escolhas não são definitivas e regressar por menos que aquilo que tínhamos antes de partir não seria logicamente para todo o sempre. A oferta de uma esmola em troca do tratamento sofrido nos Cus de Judas foi como um murro no estômago. Mas lá diz o ditado que quem está mal muda-se e não tardou muito que as malas não fossem feitas outra vez, mas desta feita às ordens de alguém que não o rei da aldeia. E ainda se queixam que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, certamente não seria verdade se não aliassem a desértica paisagem ao deserto de ideias. Talvez se confirme que "Santos da casa não fazem milagres", pois realmente afinidade com os santos da minha terra foi coisa que raramente tive, já que até o primeiro reconhecimento recebido ao suor do trabalho foi nas terras ao outro lado do Guadiana.
Mas felizmente tudo muda, nada é para sempre, o que comprova que o esforço e a procura do mérito valem a pena. Se a vida é uma longa viagem, deve ser a única onde não devem existir aéreas de serviço, parar só no fim.
E assim a viagem continua, Angola está no mesmo sítio, mas também ela a mudar constantemente,  pelo que só Deus saberá qual o próximo destino desta longa aventura.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A brigada do reumático

Serei só eu a estar cansado de ver os mesmos velhos jarretas que nos desgovernaram nas últimas décadas a apregoar nos media os meios para a salvação da pátria?

Já sabemos que em Portugal a idade é um posto, mas a incompetência existe.

Ou Portugal é um imenso albergue da terceira terceira idade ou malta nova é bué da fixe e tá noutra onda.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Absolutamente fulcral

Eu até gosto do actual Ministro da Economia, pois acredito que se o deixarem trabalhar podemos ter agradáveis surpresas, mas daí a achar que meia hora extra de trabalho é absolutamente fulcral, vai uma grande distância, ainda por cima para quem num passado recente se dizia liberal.
Sinceramente não vejo onde é que 15 minutos a mais de manhã e 15 minutos à tarde vão aumentar a produtividade. Quanto muito a produção e mesmo assim...
Tenho cá para mim que absolutamente fulcral seria liberalizar o horário de trabalho de modo a permitir uma adaptação às reais necessidades da empresa, eliminar o salário mínimo nacional, já que em tempos de crise (e não só) cada um só deve pagar o justo, acabar com esse para-quedas proteccionista dos incompetentes e reumáticos que dá pelo nome de "justa causa", eliminar todo e qualquer subsídio à actividade económica, já que são sempre os mesmos a pagar, acabar com as ajudas, perdão,  adjudicações directas, pois quem mais unhas tem mais toca viola, acabar com as taxas, taxinhas, alvarás, licenças, certificados, papéis e papelinhos para a criação de empresas e fico-me por aqui para não ser muito maçador.
Mas fulcral, fulcral mesmo, seria não cair no erro dos anteriores homólogos de confundir decisões políticas com iniciativas económicas. Mas, tendo em conta a tradição do rectângulo, isso já devo ser eu a sonhar alto.

sábado, 22 de outubro de 2011

No meu tempo é que era...

(Imagem via net)

As comemorações dos 20 anos do álbum "Nevermind" dos Nirvana e o fim dos R.E.M. deixaram-me a reflectir sobre o estado da música nos tempos que correm e a acabar por usar o cliché que todas as gerações usam para se referir à música dos seus tempos de juventude.
Não direi, no entanto, que hoje não há música de qualidade, haverá de tudo como sempre houve, o bom e o mau, mas o que é notório é a ausência de um movimento musical, uma moda, um estilo que se sobreponha aos demais dominando a cena musical, o que é um facto notável tendo em conta a história da música moderna. Não recuando muito no tempo podemos relembrar como nos 70 tivemos o Hard Rock (Kiss ou Black Sabath) e depois o Punk (Sex Pistols, The Clash), nos anos 80 e como reacção a estes afirmou-se a New Wave (Blondie, Orquestral Manoeuvers In The Dark, etc), dando espaço depois ao Madchester (Happy Mondays ou Stone Roses), de imediato no inicio dos 90 o Grunge (Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden) explode, literalmente, com tudo até ali, com Seattle a dominar a cena musical de forma avassaladora, pouco depois como resposta, nas terras de suas majestade, surge o Brit Pop (Blur, Oasis ou Suede) e o Big Beat (Chemical Brothers, Prodigy ou Fatboy Slim) ao que os norte americanos respondem, no final da década, com o Nu-Metal (Korn, Limp Bizkit, Splipknot, etc). No inicio do Séc. XXI este fenómeno de "cenas" e estilos musicais, alternando uns com os outros, começa a mudar e exceptuando, talvez, um certo fenómeno de revivalismo Rock com bandas como os The Strokes, The Hives ou Kings of Leon, não houve uma moda a assinalar, sendo que até aos dias de hoje é possível ouvir de tudo um pouco, mais ou menos ao estilo de "tudo ao molho e fé em Deus". Alheias a isto tudo houve bandas que passaram incólumes e ao lado de modas, como os Metallica ou os Radiohead, sendo por isso consideradas das melhores naquilo que fazem, apesar de já não serem bandas para as massas, mas para um grupo fiel e com bom gosto.
E por tudo isto diga-se em abono da verdade que o que realmente salta à vista, e aos ouvidos, de todos é a confrangedora falta de qualidade da música nos dias que correm e isto, por incrível que pareça, tem uma explicação, que não é nada mais que a concretização da profecia dos Buggles: "Video Killed the Radio Star" (ironicamente o primeiro video a passar na MTV). Hoje não importa a música, não importa aquilo que se canta e como se toca, mas sim que estilo visual se tem. A MTV tornou a música imagem e é pela imagem que se consome música, esta já não entra primeiro pelos ouvidos, mas pelos olhos. Pode soar retrógrado, mas a verdade é que  um corpo esbelto e uma carinha laroca (de preferência com uma voz que não magoe os ouvidos) vendem muito mais que um estilo ranhoso mas cheio de talento. Se assim não é por onde andam as cantoras desgarradas como Patti Smith ou PJ Harvey? Onde param os artistas feios, porcos e maus como Tom Waits ou Nick Cave? Pois é, lamentamos mas não temos, em troca temos produtos de marketing, com uma imagem estudada ao milímetro, sem pingo de talento e com canções todas iguais, mas tão giros que até enjoam.
A juntar a isso o fenómeno das redes sociais e da internet veio mudar definitivamente a forma de consumir música e por inerência a própria música. Nos 90 só tínhamos o Blitz e a Super Som para nos mantermos actualizados e havia que fazer esperas na rádio para ouvirmos aquele novo single acabado de lançar. Ainda me recordo de aos 15 anos ficar acordado até ás 2 ou 3 da manhã para ouvir na Radio 3 de Espanha um concerto em directo dos Green Day ou uma entrevista dos Silverchair. Hoje tudo isso está à distância de um clique e infelizmente só a qualidade parece distante.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Quem te avisa teu amigo é

  Imagem via net

"A liberdade individual é incompatível com a supremacia de um objectivo único ao qual a sociedade inteira tenha de ser subordinada de uma forma completa e permanente."

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Roubar aos pobres? Sem dúvida

No Arrastão há um post notável sobre o roubo que o Governo prepara aos pobres, para favorecer a banca nacional. Coisa diabólica com certeza.
Num país de parcos recursos, como o nosso, a malta gosta de incentivos estatais à economia, como obras públicas e subsídios para tudo e mais alguma coisa. Mas como não há "pão para malucos" o Estado endivida-se à banca para ganhar votos. O problema é que se não pagar os incentivos à economia, algum banco pode cair e aí temos o inferno na terra e na economia. Sobra o bolso dos que batem palmas às obras, aos incentivos e aos subsídios e votam nisso. Ganha o Estado e ganham os bancos.
Capitalismo selvagem? Infelizmente não. É socialismo puro e duro.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A oportunidade perdida

Senhoras e senhores, deixemos cair o pano, Portugal vai fechar.
Todos fomos avisados. Sabíamos o que aí vinha. Adivinhávamos que não iria ser fácil, o que não imaginámos é que seria impossível, pelo menos no rumo que a partir de hoje iremos tomar.
A factura volta a ser apresentada aos suspeitos do costume. O emagrecimento do Estado, o  fim da actividade económica do mesmo e a liberalização da economia fica para outra altura. Reformas estruturais só no bolso dos contribuintes. Procura-se viva ou morta a responsabilização de quem nos conduziu a isto.
Portugal não podia falhar e tinha tudo para fazer as coisas certas no momento certo. Falhou estrondosamente. Se há esquerda vão gritar de raiva, à direita só podemos chorar de frustração.
Drucker ensinou-nos que gerir é fazer as coisas bem, liderar é fazer as coisas certas. Não fazemos nenhuma das duas. Também nos disse que não há países subdesenvolvidos, apenas países subgeridos.
Bem vindos à República Socialista Portuguesa. R.I.P.

domingo, 9 de outubro de 2011

Quem fica?

Aquela que chegou a ser a 8ª economia mundial torna-se novamente um país de emigrantes: espera-se que 500 mil pessoas saiam de Espanha em busca de melhor.
Portugal, onde os números são igualmente preocupantes, e Espanha voltam assim praticamente à mesma situação que viviam nos anos 50 e 60 do século passado. Ora se os empreendedores, ambiciosos e mais qualificados saem do país, é caso para perguntar: quem fica? Muito temo que fiquem os mesmos de então, ou seja, os provincianos,  os chico-espertos e os políticos. E vejam onde isso nos levou.
Ou muito me engano ou daqui a 40 anos continuaremos na mesma: pobres, ignorantes e desgovernados.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Em Angola não somos trabalhadores; apenas "estrangeiros"?

Fiquei hoje a saber que Angola me proibiu de "mexer" no meu dinheiro.
Os bancos em Angola estão proibidos de vender divisas a estrangeiros não residentes, mesmo que com Visto de Trabalho (!), assim como de transferirem divisas para o exterior por ordem dos mesmos.
O aviso em causa do Banco Nacional de Angola foi publicado a 2 de Junho do corrente.
O BNA deve, pois, estar muito preocupado pelos estrangeiros que aqui trabalham não gastarem os seus Kwanzas. Como se na cidade mais cara do mundo, para expatriados, pudesse haver muita coisa de borla...

domingo, 2 de outubro de 2011

Noticias da República (Socialista) Portuguesa








Somos um país capitalista, não somos? Somos desenvolvidos, não somos? E ainda acreditamos no Pai Natal?

Surreal

Na empresa onde trabalho andamos há três meses a tentar recrutar dois gestores de conta.
Das dezenas de currículos analisados foram entrevistados uma mão deles, desses seleccionámos dois. Os sujeitos em causa pediram então que aguardássemos o seu inicio de actividade, pois teriam que avisar com trinta dias de antecedência as actuais entidades patronais. Até aqui tudo normal. Na data prevista o primeiro candidato a iniciar funções trabalha apenas de manhã, informando, na hora de almoço, que à tarde tem uma consulta médica e não pode ir trabalhar mais, ao que o Director-Geral, logicamente, alerta que não é um inicio com o pé direito faltar uma tarde logo no primeiro dia. À noite envia um email a dizer que não se sentiu bem vindo e portanto já não vai trabalhar mais. O outro aparece na data prevista para informar que o actual patrão afinal não o deixa terminar funções, a não ser dando mais sessenta dias (!?) à actual empresa. E isto tudo apesar de os salários, regalias e condições oferecidas por nós serem claramente superiores às que, supostamente, auferiam.
Como não estou para tirar conclusões precipitadas, ou que me acusem de algum preconceito, digo apenas que é difícil recrutar trabalhadores num país onde a taxa de desemprego ronda os 30% (segundo estimativas, pois não há dados oficiais) . No mínimo surreal.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O dilema de saber mais que o chefe

“En un bar me dijeron que cómo iban a tener a un licenciado en Económicas poniendo cervezas”

"Lo que se lleva ahora es rebajar el curriculum o hacerlo desaparecer directamente si el trabajo al que se aspira lo requiere. Imprescindible no saber idiomas. Nada de esto sabe mi amigo, al que le dije que la prensa lleva publicando varios años los casos de gente que maquilla a peor su expediente para poder aspirar a seiscientos euros. Con la crisis no sólo vamos tener que trabajar más para ganar menos, sino que hay que aparentar un cierto analfabetismo, incluso en los modales."

"Qué pretendes, ¿tener más estudios que tu jefe?"


E nós por cá?

 

domingo, 25 de setembro de 2011

O que é ser Português?

Numa esplanada em Paris um turista perguntou-me se falava inglês para pedir indicações, na loja da Apple, na mesma cidade, ao pedir para me configurarem um ipod em português, perguntaram se era brasileiro, já fui recebido em dois restaurantes na minha terra natal com "buenas noches" e em Luanda já me perguntaram se falava português, o que talvez comprove, conforme escreveu Martin Page no seu livro "A Primeira Aldeia Global", que não há um estereotipo para o português típico, pois há-os altos, baixos, magros, gordos, loiros, morenos, brancos, negros, etc...
Como nos definimos então como povo? Com certeza aventureiros e inovadores, como comprova a nossa História, essa mesma História que é quase uma enciclopédia sobre crises, o que por outro lado nos revela pouco disciplinados ou metódicos, o que nos tem levado a falhar nos momentos decisivos. Mas somos únicos. Carregamos como ninguém o fardo da saudade, essa característica tão inerente à alma lusitana, talvez porque como tão poucos povos aprendemos a viver longe da nossa terra, espalhando pelos quatro cantos do mundo a nossa influência, tão discreta quanto maior do que imaginamos.
Hoje somos pouco mais de 5 milhões pelo globo, que é como quem diz metade da população residente em Portugal, ou, dito de outro modo, um terço de Portugal pisa outro solo que não o Lusitano. Ser Português? Maria José Nogueira Pinto, na sua derradeira crónica, escreveu que cedo aprendeu "a levar a pátria na sola dos sapatos". E não há fardo maior, para o bem e para o mal, de que nos possamos orgulhar enquanto povo.

Angola continua na moda

Depois da primeira grande vaga de expatriados para Angola, entre 2005 e 2008, parece que o país volta a entrar na moda para os novos emigrantes lusitanos, e a prova disso mesmo é a profusão do tema nos media (inclusive passou há dias na SIC uma peça dedicada ao tema), com direito até a publicações de guias para o efeito.
Desde o fim da guerra em 2002 o número de portugueses aqui explodiu e é interessante ver como o perfil dos mesmos tem mudado ao longo destes anos, se inicialmente este era um país para quadros experientes e aventureiros, sendo muito difícil ás empresas recrutarem para o efeito, hoje é comum vermos cada vez mais jovens, muitos deles recém licenciados. A situação do nosso país a isso obriga. Nesta fase do campeonato creio que já toda a gente sabe ao que vem, os conselhos são simples e basta ter em conta as limitações das infraestruturas do país para prevenir surpresas desagradáveis: o custo exorbitante da habitação, a (quase) ausência de transportes públicos, a falta de energia eléctrica e água potável, etc. Quanto aos empresários e investidores os conselhos são outros. Hoje a regulação financeira é muito mais eficaz, o sistema financeiro muito mais robusto, já não se enviam remessas para o estrangeiro sem justificação como há um par de anos; Angola já não é para alimentar os negócios lá fora. O mercado tem vindo a sanear-se e os players oportunistas, que por aqui proliferavam como cogumelos, têm vindo a desaparecer. O que só pode ser bom.
É comum ouvir nos media expressões como "pérola de África" ou "bom nível de vida", isso é muito bonito mas sejamos pragmáticos, afinal, no fundo tudo se resume à procura de uma melhor condição financeira, sejam empresas ou trabalhadores. A Angola de hoje não é a dos nossos avós e o "bom nível de vida" não deve ser confundido com "boa qualidade de vida", ainda falta muito para isso... No entanto o meu único conselho a quem quer vir para aqui trabalhar é não pensar apenas no dinheiro, isso aqui não serve e se assim pensa não vale a pena sequer desfazer a mala quando chegar, pois partirá mais cedo do que julga. Pensem em crescer, pessoal e profissionalmente. O que Angola vos dará, em lugar algum no mundo o conseguirão, o que aqui se aprende não vem em manuais, pois todos os dias surgem novos desafios que só aqui se aprendemos a superar. E Luanda? O Zé Maia já disse tudo: "Não se engane com o lindo nome dessa cidade. Ela vai te devorar e provavelmente te cuspir quando lhe apetecer. O pior é que você vai adorar".

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O brinquedo de Madeira

Ainda que legitimamente se trate uma mentira que nos obriga a rever os défices legítimos dos últimos três anos.

Mesmo que pontualmente isso nos obrigue a rever os défices pontuais dos últimos três anos.

Serei só eu a pensar que esta gente julga que fala para crianças?

sábado, 17 de setembro de 2011

Sobre o desenvolvimento

No conforto do nosso mundo ocidental temos o desenvolvimento como um conceito "nosso", que define o próprio status das nações. O ocidente personifica o mundo desenvolvido e separa-o dos outros, o que leva a que quando pretendemos definir o conceito nem sequer tentamos, basta para isso apontar um qualquer país do hemisfério norte.
A experiência em África mostrou-me que um país é tão mais desenvolvido quanto mais eficaz a evitar o desperdício e a gerir os seus recursos, materiais e humanos. A pobreza aqui não é por falta de recursos, mas antes causa de um gritante desperdício. Como exemplo veja-se Luanda, servida por dois rios, o Kwanza a sul e o Dande a norte, no entanto a falta de água faz parte do dia a dia, ao mesmo tempo que é frequente vermos ruas transformadas em rios por rebentamento de condutas. A reciclagem é ainda uma miragem por estas bandas, a burocracia do país em nada inveja a lusitana e o país importa quase tudo, com um custo muito superior ao que pagaria se houvesse produção local.
Assim, os países desenvolvidos não o são por serem ricos ou seguros, mas porque são eficazes na gestão dos seus recursos; as suas economias funcionam porque se combate a corrupção, a sua justiça é célere porque não vive numa teia legislativa complexa e insensata que se adia ad eternum, as suas instituições funcionam porque não se temem as decisões urgentes e necessárias e a coisa pública limita-se ao essencial.
Nesta perspectiva, por muito que nos custe admitir, estamos ainda a uns bons passos de nos considerarmos desenvolvidos. Não basta abrir a torneira e ter água potável, electricidade 24 horas por dia, auto-estradas com fartura ou todas as criancinhas com um portátil na escola, é preciso também que a justiça seja rápida, que a corrupção seja eliminada e a burocracia reduzida ao essencial. É preciso que os nossos cidadãos sintam que vale a pena o esforço e que o mérito é premiado sem cartões de militante, ao invés de serem tratados como meros números de identificação fiscal. As empresas devem ser tidas como criadoras de riqueza ao invés de maquiavélicas organizações às quais há que dificultar a actividade com taxas, taxinhas, alvarás, licenças e o diabo a quatro. Há que acabar com as discussões à volta dos pentelhos e atacar o que realmente importa, só então seremos um país desenvolvido.
Somos, então, subdesenvolvidos? Não. Pois como dizia Peter Drucker: "não há países subdesenvolvidos, há países subgeridos".

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Acordo "histórico" entre Angola e Portugal

A serem cumpridas as medidas do acordo, supostamente histórico, entre Angola e Portugal podemos afirmar que finalmente haverá uma política séria de emigração entre os dois países, ao invés das "birras" que temos assistido nos últimos anos.
Se quanto aos vistos de curta duração o acordo é realmente sensato, e faz todo o sentido em pleno século XXI, quanto aos vistos de trabalho tenho as minhas reticências. O acordo agora assinado pressupõe vistos de 36 meses, mas, como podemos ler na notícia, isso já acontece actualmente, sendo o visto emitido por 12 meses com direito a 2 prorrogações de igual período, mas, a notícia omite o facto, pode em casos excepcionais, mediante acordo dos serviços de emigração angolanos, uma prorrogação adicional, o que eleva o total para 48 meses. O acordo actual contempla prorrogações? Com que duração? A notícia não diz.
Mas onde o jornalista comete a grande gaffe é quando afirma que a renovação é feita no país de origem, pois actualmente todos os vistos são renovados localmente no Serviço de Migração e Estrangeiros. Quanto aos 30 dias para a emissão tal já se verifica, não em todos os casos, é certo, mas em situações excepcionais pode obter-se o visto de trabalho localmente e de forma mais rápida, para actividades profissionais onde haja uma grande falta de mão-de-obra qualificada, mediante parecer favorável do Ministério da tutela da empresa contratante (para confirmar basta consultar o regime jurídico dos estrangeiros em Angola disponível aqui).
Será um grande passo em frente, num contexto onde cada um dos países precisa do outro como de pão para a boca, mas como manda a prudência devido ao palmarés no ranking burocrático de ambos os protagonistas: é esperar para ver.

sábado, 3 de setembro de 2011

Sobre a responsabilidade social das empresas

Nos dias de hoje é um dos temas da moda e parece não haver organização que não queira ser socialmente responsável, o que é um perfeito disparate.
A responsabilidade social é algo inerente à mera existência de qualquer empresa.
As empresas não são "ilhas" na sociedade, não são órgãos isolados da mesma, mas sim parte integrante de uma vasta e complexa teia de relações, pois se através das suas actividades procuram preencher as lacunas do mercado, oferecendo novos ou melhores produtos, ao mesmo tempo atribuem um valor ao trabalho dos seus colaboradores, devendo retribuir na sua justa medida, sempre respeitando as suas obrigações legais. Muito resumidamente, isto é serviço público.
Qualquer empresa que não cumpra com estes pressupostos, por muita certificação ou reconhecimento social que tenha, que é uma técnica de marketing fantástica, é pura e simplesmente irresponsável. Ponto.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sobre o tão falado novo imposto sobre os ricos

A economia portuguesa não cresce há mais de uma década, mas estamos a ponderar mais impostos?
Continuem que estamos no caminho certo. Depois não se queixem.

sábado, 20 de agosto de 2011

Governo quer fazer história


Quer isto dizer que o Estado vai finalmente sair da estrutura económica do país e deixar a economia fluir sem interferências?

Sempre que os nossos políticos falam em fazer história sai asneira da grande e é por essas e por outras que nunca devemos ter grandes expectativas quanto aos mesmos. Fazem sempre menos do que deles esperamos. E disso há muito que reza a história.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Gestão para totós

Para quem tanto defende os trabalhadores esta malta parece não fazer a mínima ideia do que é necessário haver para pagar salários e manter regalias.
Há livrinhos muito simples e acessíveis que ajudam; afinal de contas gerir um país não é muito diferente de gerir uma empresa.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E a Gestão, pá?

Na vertigem da presente crise mundial é já quase um dado adquirido, pela opinião pública, o falhanço dos economistas pelo estado de coisas da actualidade.
Basta dar uma vista de olhos pela blogosfera, jornais ou revistas para ver como as críticas se multiplicam neste sentido, no entanto, a meu ver, andamos a apontar baterias ao alvo errado. Os economistas não são mais que teóricos/analistas óptimos a explicar o que aconteceu, mas péssimos a prever o que está para vir, tal a quantidade de variáveis com que trabalham. Então e os Gestores? Afinal é o que acontece nos escritórios das empresas pelo mundo fora que irá ditar o estado da economia. É aquilo que "eu" enquanto director ou presidente de uma empresa faço e decido no dia-a-dia da empresa que irá influenciar o meio onde esta se insere; pois as empresas não são entidades isoladas, mas membros activos de uma sociedade. Não será a tão diabólica especulação financeira, simplesmente, uma prática de gestão nociva?
É verdade que, economicamente falando, podemos escolher ser Keynesianos ou Liberais, mas, em última análise, a forma como gerimos, seja a coisa pública ou privada, resume-se a sermos responsáveis ou irresponsáveis, pois o que importa é o resultado final e nada mais. Ou somos competentes ou não. Mais simples impossível. O mesmo se aplicará, como é óbvio, aos políticos.
Enquanto não começarmos a discutir os modelos e práticas de gestão da actualidade de nada adiantaremos e jamais mudaremos este estado de coisas, pelo contrário só o agravaremos, pois não se trata apenas das práticas das empresas e organizações públicas, mas igualmente daquelas que são ensinadas nas universidades pelo mundo fora. Henry Mintzberg, uma das poucas vozes que se fazem ouvir, há algum tempo que alertou para este facto na sua excelente obra "Gestores, não MBA's" (editado originalmente em 2004), onde numa brilhante crítica ao ensino da Gestão acaba por dar uma verdadeira lição sobre como se gere, quer se tratem de empresas, ONG's ou países, como ao mesmo tempo avisava já para o que estava para vir.
No início dos 90 James Carville lembrou Bill Clinton que "é a economia, estúpido" e a malta parece que gostou e não mais esqueceu, mas e a Gestão, pá?!