Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens

sábado, 1 de setembro de 2012

O som da vida


"Um morte na família era uma coisa raramente vivida como um acontecimento. Era vivida como uma mudança de estação, como o final do verão, ou um período de mau tempo. Uma morte na família aproximava-nos mais da morte a nós próprios. A religião não tinha tornado a morte menos sinistra: continuava a ser um mundo onde preferíamos não entrar. A morte na minha mãe não muito tempo depois de ter começado a minha carreira teve como efeito a eliminação de uma espécie de ruído branco da vida do meu pai e da minha, um ruído branco muito agradável que eu achava que talvez só as mulheres conseguissem proporcionar. Era o som da vida, ao contrário da lógica do silêncio de que os homens gostavam: as mulheres procuravam Deus, ao passo que os homens procuravam Euclides. Quem me dera que fossem a mesma coisa."

Thomas McGuane, Por Um Fio
Quetzal Editores. Tradução: Vasco Teles de Menezes

Imagem: daqui.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Leitura do dia

"A maravilhosa civilização moura de Espanha, no fundo, mais próxima de nós do que Roma e a Grécia, que fala aos nossos sentidos e ao nosso gosto com mais força do que aquelas, essa civilização foi espezinhada (não digo por que patas) - porquê? porque devia a sua origem a instintos nobres, a instintos viris, porque afirmava a vida com as raras e refinadas magnificências da da vida moura...!
Os cruzados lutaram mais tarde contra algo que melhor teriam feito em adorar de rastos - uma civilização tal, que comparada com ela, até o nosso século XIX apareceria muito pobre e muito atrasado. - Claro que os cruzados queriam era o saque: o Oriente era rico... Sejamos directos! As cruzadas - alta pirataria, nada mais! - A nobreza alemã - no fundo nobreza de viquingue  - encontrava-se com isso no seu elemento: a Igreja sempre soube como atrair a nobreza alemã... (...)
Será que um alemão terá de ser génio, terá de ser um espírito livre, para se tornar decente? (...)
É necessário abrir aqui uma ferida cem vezes mais dolorosa ainda para os Alemães. Os Alemães privaram a Europa da última grande colheita de cultura a que ela poderia aspirar: - a do Renascimento."

(Freidrich Nietzsche, O Anticristo)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Leitura do dia

"Estamos dispostos a aceitar praticamente qualquer explicação para a crise actual da nossa civilização, excepto uma: que este estado de coisas no mundo pode ser o resultado de um verdadeiro erro da nossa parte, e que a prossecução de alguns dos ideais que mais acarinhamos produziu, pelos vistos, resultados completamente diferentes daqueles que esperávamos."

Friedrich Hayek, O Caminho para a Servidão

sábado, 3 de dezembro de 2011

Leitura do dia

"Nós não estamos de facto a defender a nossa política ou as nossas crenças ou mesmo a nossa maneira de viver, mas simplesmente a nossa homogeneidade contra um governo federal ao qual em puro desespero o resto deste país teve de ir cedendo uma parte cada vez maior da sua liberdade pessoal e privada a fim de permitir os Estados Unidos. E evidentemente continuaremos a defendê-la. Nós (...) não sabemos porque é que ela é valiosa. Não precisamos de saber. Apenas poucos de nós sabem que só da homogeneidade vem alguma coisa de um povo ou para um povo com valor duradouro e permanente - a literatura, a arte, a ciência, esse mínimo de governo e polícia que é o propósito da liberdade política e pessoal e, talvez o mais valioso de tudo, um carácter nacional com certo merecimento em tempo de crise (...)."

(William Faulkner, in "O Intruso")