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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Um país de telenovela

Tantos anos longe fizeram-me esquecer o quão surreal, caricato e bipolar consegue ser o nosso país. Agora que regressei tenho dias em que não sei se estou a assistir a uma telenovela de qualidade duvidosa, se a realidade é mesmo assim ou sou eu que tenho um gene à la Tim Burton que distorce tudo que vê.

Os Portugueses são uns socialistas invertidos: todos têm a obrigação de contribuir para o meu bem estar, já eu contribuir para o bem estar dos outros é outra conversa. Vai daí o que não falta é criatividade para criar impostos. Solidariedade forçada é que é. E quando somos obrigados à bruta a contribuir, para um sem fim de causas, já sabemos que depois não sobra nada para contribuir livremente para o que importa, não é? Enfim, adiante... 

Agora anda por aí uma coisa chamada fiscalidade verde. É assim meus senhores: não vale a pena dourar a pílula, são mais impostos e ponto final, ok? Isto do verde é muito bonito, mas não engana. Para mim verde só o Sporting, porque tudo o resto e ainda por cima quando se trata de impostos (leia-se: roubo legalizado e permitido ao Estado) é de fugir a sete pés. A perfídia da coisa chega ao ponto de justificar mais este roubo com a possibilidade de contribuir para a redução do IRS. Mas que bem! Pagamos mais de um lado porque nos sobra mais do outro. De génio mesmo. Será o nosso Ministro do Ambiente um infiltrado da Greanpeace?!

Para ajudar à festa querem-nos obrigar a sustentar uns artistas que ninguém ouve, vê ou lê, à pala dos telemóveis, pen-drives e discos rígidos que compramos para uso pessoal. Corrijam-me se estiver enganado, mas ainda não mudámos o nome para República Socialista Portuguesa. Já chegámos a Cuba?! Tá tudo doido, só pode. Não vendem as suas "obras"? Azar, já nos faltava sustentar a falta de talento. Mas doravante vamos sustentar com taxas e taxinhas tudo o que ficar sem sustento? No mínimo demente.

Como cereja no topo do bolo temos uns descerebrados com dinheiro e tempo livre a mais e cérebro a menos, já ali ao virar da esquina, a criar uma coisa "gira" chamada Estado Islâmico, a ameaçar atear fogo ao mundo e cujo principal passatempo é degolar pessoas. Dizem ainda que reivindicam uma coisa chamada Al-Andaluz, que só por acaso é a nossa casa, coisa de menor importância, pois o que realmente importa para a nossa imprensa é o romance do Fábio e da Ângela, dois lindos pombinhos jihadistas lusos, que levam a língua de Camões, mais umas quantas armas e bombas, à Síria. Ah e detestam o ocidente, mas não dispensam pepsi e nutella... A nutella senhores.
Ou os nosso jornalistas nos tomam todos por parvos ou são uma cambada de incompetentes, pois é frustrante ter que recorrer à imprensa estrangeira para perceber algo deste imbróglio no Médio Oriente. Mas o que povo é que é ignorante e não se interessa, não é?

Isto só como pequena amostra do que quero dizer, porque os exemplos são infindáveis, mas que somos um país único lá isso somos. Conseguimos ser surreais, dementes, deprimentes e divertidos ao mesmo tempo. Um verdadeiro estudo de caso.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Novas da República Socialista Portuguesa

Só o título já dá arrepios: "Taxa sobre sobre telemóveis e tablets avança para garantir direitos de autor."

"A nossa estimativa é que as receitas [provenientes desta taxa] variem entre os 15 e 20 milhões de euros, e está prevista uma distribuição dos montantes" pelas entidades gestoras dos direitos de autor, disse Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura.

Ler notícia aqui.

Parece notícia da extinta União Soviética, mas não, é mesmo o esplendoroso socialismo "equitativo" luso.

Passo a passo, tranquilamente, lá vamos trilhando o caminho para a servidão.
Depois queixem-se e digam que não foram avisados.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Não há quem exporte pires e limas?

"o Governo fez aquilo que pôde durante estes últimos dois anos e meio, para que esta medida entrasse em vigor o mais tarde possível e para que os próprios empresários pudessem adaptar os seus modelos de negócio a esta circunstância. O que é importante é que os empresários portugueses sintam que o Governo continua ao lado deles em Angola, apoiando-os não só nas atividades exportadoras, mas também em projetos de investimento que queiram concretizar."

E assim com aparentes boas intenções (aquela de "o Governo fez aquilo que pôde" é de ir às lágrimas) se despreza completamente o trabalho árduo que é, de há anos a esta parte, diariamente desenvolvido pelas milhares de empresas portuguesas que labutam em Angola.
É para isto que temos Ministro da Economia?! Valha-nos Nossa Senhora!

Se quiserem ler no Expresso o resto das banalidades é seguir este link.

domingo, 2 de março de 2014

Acabaram-se as crónicas além Tejo...

...pois em breve passarão a ser escritas à beira Tejo. Pois é, passados sete anos em Angola, aqui o escriba está de malas aviadas para Portugal, mais concretamente para Lisboa.
Um novo projecto, uma nova cidade, um novo capítulo que iniciamos.
Foram sete incríveis anos em Luanda, uma cidade que jamais esquecerei, seja pelas coisas boas seja pelas más. Não tenho dúvidas que deixo uma parte de mim em Angola, à qual muito fico a dever por tudo o que me deu, mas o regresso esteve sempre presente na minha mente, todos e cada um destes anos. Não há como a nossa casa, não há como o meu país.
Muitas coisas ficaram por escrever, muitas histórias de Angola ainda por contar, que a seu tempo, certamente, verão a luz do dia. Para já é hora de regressar a casa, depois logo se vê.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O auto-plágio ou génio incompreendido do Quesado

Bem me parecia que havia algo de errado neste texto de Francisco Jaime Quesado; era muito palavreado e pouco sumo.
Quem topou mesmo a figura foi o José da Porta da Loja, quando em 2012 leu uma crónica no i que era praticamente um copy-paste de uma outra publicada no Público em 2010. Em 2014 repete o sermão desta feita no Diário Económico. É obra! Das duas uma: o Sr. Quesado é um génio incompreendido que acredita piamente nas suas palavras e vai de nos metralhar com a mesma cassete, ou não sabe mais e toca de se auto-plagiar.
Este senhor andou por uma CCDR, faz parte de um grupo para a inovação e não sei mais o quê e parece que é um dos elegíveis para o IAPMEI. Sem mais comentários...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Perguntar não ofende

Como é possível num país que declara 3 falências em 35 anos serem os políticos que o governaram desde então a ocuparem todo o espaço mediático?

Diz-se que a definição de loucura é repetir o mesmo comportamento e esperar resultado diferente, logo...

domingo, 18 de agosto de 2013

Uma excelente notícia sobre a entrevista de Judite ao jovem Lorenzo

As ondas de choque estão a ser enormes, mas, muito provavelmente, contrárias à intenção da vergonhosa e escandalosa prestação da Sra. Judite de Sousa.

Parece mentira, mas da esquerda mais radical à direita mais liberal as reacções são unânimes.

Afinal há esperança para Portugal; um país tido como transpirando inveja por todos os poros, mostra com as reacções nas redes sociais a este episódio que há muita gente com valores diferentes da mesquinhez mais reles que grassa pelas redacções dos nossos media.
E isto, sim, é uma excelente notícia.

sábado, 10 de agosto de 2013

Da obsessão em afundar Portugal

Se há coisa para a qual já não tenho a mínima paciência é para o "coitadismo" nacional lusitano. Português de Portugal só sabe falar mal. Não vale a pena dizer mais porque é mesmo assim. Ponto.
O nacional-lamentismo ainda era coisa tolerável antes do eclodir da grande crise, mas com a terceira falência em três décadas a coisa agravou-se e é vê-los e e ouvi-los por tudo quanto é sitio. Esta crónica de um tal Bruno Proença, no Diário Económico, é um dos mais recentes e melhores expoentes da coisa (e um excelente texto para substituir o papel higiénico numa ida ao wc). Sinceramente estou farto, muito cansado mesmo, desta moda de olhar com pena para nós, emigrantes, e pintar de preto o futuro nacional. Ah e tal coitadinhos, têm tanta formação e tiveram de ir embora, foram empurrados como diz o Bruno Proença.
Dou um conselho a quem partilha desta preocupação: não se preocupem. Nós, emigrantes, dispensamos muitíssimo bem esta preocupação bem falante, pois em boa hora emigrámos e fugimos, sim, fugimos, desse pessimismo reinante, desse fatalismo que consume Portugal, que afoga a ambição e enterra todo um povo na maior das misérias possíveis: a falta de esperança. Que malvada obsessão pelo fracasso, pelo derrotismo, pela miséria material e humana é esta que queima tudo quanto toca?! Se nada mais têm a dizer ou a fazer em prol da nação à qual dizeis pertencer, fazei um favor para bem de todo Portugal: calai-vos de uma vez por todas! Mesmo com o a sol a brilhar intensamente, havíeis de encontrar forma de lamuria  nem que fosse pelo calor. Sabemos que os tempos não são fáceis e por isso não precisamos que nos gritem todos os dias aos ouvidos a mesma coisa, tal como a um faminto não se pergunta se tem fome. Diz ainda o Sr. Bruno, no titulo do seu texto, que a geração dos trinta  está de castigo, imagine-se... O tanas! A nossa geração foi literalmente lixada com F grande pela geração anterior, mas isso são contas de outro rosário e não é com choradinhos que se arruma a casa. Adiante.
As boas notícias podem andar por aí, mas, sempre escondidas, como mandam os cânones do nacional-lamentismo, como se uma puta de uma boa noticia não fosse o melhor bálsamo para o espírito em tempos tortuosos. Jamais vi ganharem-se guerras e batalhas com bota-baiximos, lamurias e cantigas de fado. Deve ser isto aquilo que Henrique Raposo descreve aqui como a obsessão queirosiana, onde não posso estar mais de acordo com o mesmo: o nosso problema não é material, está mesmo na cabecinha.

sábado, 6 de julho de 2013

A antecipada parvoíce de uma crise vista ao longe

Estamos a dar um triste espectáculo, sem rodeios e preto no branco é aquilo que vê quem está de fora.
Vítor Gaspar que era tão bom, tão competente, tão recto, a pessoa ideal para o leme em mar tempestuoso, afinal não aguentou a contestação do zé povinho. Simplesmente porque, como eu sempre defendi, era alguém que estava completamente desligado do país real, vivia de e para números, ou seja nas nuvens. A seguir o que faz o parceiro de coligação? Uma birra, pois bem. Excelso sentido de Estado, responsabilidade e comprometimento com a nação. Sem dúvida tudo aquilo que o CDS sempre defendeu... Ah não gostou da escolha? Azar. Discuta, proponha outra, faça o que entender (não tem uma reforma do Estado para apresentar?), agora bater com a porta com todas as mais que conhecidas consequências é andar a brincar e gozar com quem lhe paga o salário. Como se diz na minha terra mostrou o cuzinho todo, que é como quem diz a face: o poder pelo poder. Vai daí os tão famigerados mercados, tão odiosos e malvados, lá mostraram a verdadeira face desta palhaçada toda: que não governamos, nem nos deixamos governar, mas, mais importante ainda, que continuamos falidos, algo que parece escapar a uma grande falange dos nativos da Lusitânia.
Entretanto o circo continua, com a esquerda radical a masturbar-se com a crise despoletada e os socialistas a salivarem com o vislumbre da cadeira do poder. Há ainda por aí umas criaturas iluminados que pedem eleições antecipadas. Em Portugal gosta-se muito de pedir eleições antecipadas. Aliás gostamos muito de antecipar seja o que for, basta ver a quantidade de criaturas-fazedoras-de-opinião que pululam pelos nossos media, como puro lixo tóxico, antecipando tudo e mais alguma coisa excepto a nossa tremenda incompetência para governar, enfim... O governo mexe no meu queijo? Eleições antecipadas! Há uma crise política? Eleições antecipadas! Eu muito me engano ou está mesmo tudo doido ou o calor está a dar cabo da tola a muita gente. A ver se nos entendemos: houve eleições há dois anos atrás, foram escolhidos os partidos para nos governar durante quatro anos. Falar em eleições novamente é uma total idiotice e uma tremenda infantilidade. É que não há outro adjectivo. Bonito seria sempre que um governo toma uma medida impopular (ui tantas que ainda há para tomar!) ou a qualquer crise política houvessem eleições. Mas esse tipo de gente não tem nada na cabeça?! Ou foram demasiado mimados na infância e os papás faziam-lhes as vontadinhas todas não antecipando a idade adulta?!
Menos mal que no meio disto tudo há um PM com algum bom senso. Não está isento de falhas e erros, que os tem como qualquer ser humano (é impossível agradar a gregos e troianos), mas tem aquilo a que se exige a um líder em momentos difíceis: calmo, sóbrio e tranquilo. Algo que escasseia há muito pelas nossas elites. Portanto vamos mas é manter a calma, olhar em frente e continuar a trabalhar, pois por muito que nos custe ainda não há pão para malucos.

Publicado também aqui.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Já andam a comprar tinteiros?

Eu só gostaria de relembrar à esquerda, que delira com a crise política e saliva só de vislumbrar a cadeira do poder, que também não será ela a tirar-nos do buraco onde estamos, simplesmente porque continua a não haver dinheiro.

Ou julgam que o BCE vos empresta uma impressora?!

Se é assim é tirem o cavalinho da chuva e invistam antes em airbags porque o embate com a realidade vai ser brutal.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

I-N-G-O-V-E-R-N-Á-V-E-L

Agora, venha o diabo e escolha: 2º resgate, bancarrota ou sairmos do Euro.

Depois, é agradecer ao inqualificável Paulo Portas e aguardar por um futuro (in)Seguro.

Agarrem-se porque o estrondo vai ser titânico...

domingo, 23 de junho de 2013

Portugal existe?!

O nosso país começa a ser de tal forma surreal que um tipo dúvida que exista mesmo um local assim.

Um dos ministros mais liberais do governo mais liberal de Portugal quer incentivar o emprego daqueles que menos necessitam:


Querem ver que dos 20% de desempregados há imensos doutorados e nós não sabíamos? Quer-me parecer que o problema mais grave é mesmo na ausência de qualificações. 
E a mim parece-me que o problema de reter cérebros tem a ver com uma coisa que escasseia muito no país: dinheiro para os pagar; e não será com medidinhas que a tesouraria das empresas passará a tê-lo.
A gestão de empresas é algo que não assiste o nosso governo mais liberal de sempre.

Menos mal que existe um Seguro contra a desgraça.


Que é como quem diz: atacai o pote que ainda há muito por onde comer.
Ou isso julgam eles. Pois só assim explica a pérola de assumir como prioridade política para as câmaras a criação de postos de trabalho no país. Nada mais fácil: é triplicar o número de funcionários em cada uma e assunto resolvido, naqueles Municípios onde a câmara já é a maior entidade empregadora passará a ser a única. Será o paraíso socialista em todo o seu esplendor.

Bem nos pode valer Nossa Senhora de Fátima para nos salvar de tamanha desgraça.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Não se arranja um imposto para a parvoíce?


É, talvez, a tirada mais tristemente hilariante dos últimos tempos:


Nomeadamente na construção, diz o mesmo.

Coitados dos nórdicos, tão pobres que são por causa do mau tempo que por lá faz. Na Escandinávia então, pobrezinhos, há anos que não há investimento.
Como economista que é Gaspar devia saber que o mau tempo devia ter impulsionado outros investimentos que compensariam a perda na construção, tais como, sei lá, o fabrico de guarda-chuvas, abrigos, cachecóis, aquecedores, etc... O enorme aumento de impostos é que não tem nada a ver.

Isto é o que dá viver de e para os números: quando estes não batem certo qualquer desculpa serve, nem que sejam os gambuzinos. Ou então é apenas gozar com o pagode.

sábado, 4 de maio de 2013

Sobre dietas temporárias e o pão que não nos deixam ganhar

Talvez já não devesse, talvez seja ingenuidade, mas há coisas que ainda me espantam na cena Lusitana que atravessamos...
Estamos falidos, é ponto assente e vai daí cortes e mais cortes é o remédio desta gente para a cura. Cortes sempre iguais e sobre os mesmos. Desde a tanga de Barroso que andamos nisto e sem economia que mexa. Como é possível estarmos estagnados há mais de uma década e esta gente não facilitar, não desregular furiosamente, toda e qualquer actividade que ajude o zé povinho a ter pão para a boca? A coisa está muito bem explicada aqui pelo Pedro Santos Guerreiro e é leitura obrigatória:

"Não é só a factura obrigatória. É o IVA a 23%, que ou aumentou os preços (afastando a procura) ou reduziu a margem (diminuindo a rendibilidade). São os sistemas de facturação novos, que implicam aquisições de equipamento. É a ligação obrigatória à Internet. É a nova lei do arrendamento comercial. É o novo regime de bens em circulação, que exige uma papelada infernal. Os tempos do comerciante de lápis na orelha nem para nostalgia dão: o Estado passou a coleccionar-lhes as orelhas."

Quase aposto que até aturávamos melhor os cortes de Gaspar se pelo menos nos deixassem trabalhar e se o fruto do nosso trabalho apenas dependesse do esforço de cada um e não da tesoura cega do Estado.
Não venham com as tangas das mudanças estruturais porque é conversa para boi dormir, isto é apenas uma banda gástrica, para comer menos, porque daqui a dois anos bastam seis meses de desvario socialista para a engorda recomeçar, pois o esqueleto está todo lá. E tudo isto vem do governo mais liberal que Portugal já teve (a sério, não é para rir)...
É verdade que algumas - poucas - medidas importantes foram tomadas, mas, ou muito me engano ou, foram feitas apenas na esperança de acalmar os ânimos da troika para que esta saia de cena o quanto antes e recomece o regabofe.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Leitura obrigatória sobre o país que somos

"(...) era capaz de não ser má ideia promover a constituição de um governo de união nacional, onde estivessem representados todos os partidos, integrado exclusivamente por presidentes de câmara. Seriamos, acredito, um povo muito mais feliz. E o país seria, seguramente, um lugar divertido, com muita animação e onde tudo constituiria motivo para uma festa. Fosse a colocação de uma máquina de multibanco numa aldeola ou a oferta de uma gaita de beiços para uma filarmónica qualquer."

Ide ler no Kruzes Canhoto que vale bem a pena.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mania das aparências

Nesta notícia no El País sobre a interrupção da intervenção de Passos Coelho ao som de Grândola Vila Morena podemos ler esta descrição dos intervenientes:

"Los manifestantes pertenecen al movimiento civil 'Que Se Lixe a Troika' (Que se joda la troika en portugués)"

Dirão que a tradução do "lixe" está mal feita. Não, não está.

É que nestas coisas nuestros hermanos são muito mais sinceros, pois não me venham com cantigas, já que em todo o lado ouvimos a versão castelhana e não só aplicada à Troika.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

"Entre nós é vergonhoso reconhecer a própria pobreza, mas pior que isso é não esforçar-se para escapar dela" (*)

Camões terminou a sua epopeia com a palavra "inveja", como que atestando ad eternum, quiçá, a nossa pior característica enquanto povo. Invejamos especialmente o sucesso e a prosperidade, elegendo como alvo preferencial essa classe ignóbil que são os ricos. Invejamo-los não porque desejemos ser como eles, mas antes que eles fossem como nós: pobres. O português não quer ser como o rico, prefere que o rico fique pobre.
Isto jamais aconteceria numa sociedade onde fosse fácil e atingível enriquecer, onde o mérito fosse premiado e recompensado. É tarefa hercúlea enriquecer em Portugal. Até a cultura popular o atesta dizendo que "quem cabras não tem e cabritos vende de algum lado lhe vem". Por todo o nosso colectivo existe a imagem, bastante palpável, de que sem as ligações certas ou por meios obscuros dificilmente se enriquece em Portugal. Quem não nascer em "berço de ouro" parece condenado à partida à sua condição social, sendo que os poucos que nele nascem parecem tudo fazer para não terem sombras de outrem ao seu status quo, pois afinal o respeitinho é muito bonito e a concorrência só é salutar no futebol. Mas apesar de tudo, felizmente, existem (alguns poucos) ricos em Portugal, por isso apelamos a uma maior igualdade na distribuição de rendimentos, de preferência sob a batuta de sua santidade o Estado: que os pobres sejam menos pobres e os ricos menos ricos; que se apoiem os primeiros com os impostos sobre os segundos. Pelo Estado se enriquece, pelo Estado se empobrece.
E assim emigramos, procurando ser lá fora como os ricos que diabolizamos cá dentro. Enquanto não existir a liberdade de fazer escolhas e de assumir as suas consequências pela procura da prosperidade, sem o empecilho de um Estado controlador e manipulador, dificilmente o panorama irá mudar. Por isso emigramos, procurando e encontrando lá fora a riqueza e prosperidade que nos é negada cá dentro. Porque sabemos que a distribuição e a igualdade não funcionam, mas enquanto não assumirmos que sem criação de riqueza a única coisa a distribuir é pobreza estaremos todos condenados a esta última.

(*) Tucídides, As Guerras do Peloponeso

Publicado também aqui.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Elvas no El País

Retrato de um país que se alegra por regressar aos mercados, mas cujas crianças levam da escola a refeição para casa:

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Défice de inspiração

Completamente sem inspiração para escrever seja o que for, rascunhos e ideias há muitas, mas teimam em não se transformar em posts.
Quando vivemos longe de casa, como é o caso, a melhor forma de nos mantermos informados é através dos jornais online, blogues e afins, os quais sabemos como têm tendência para o sensacionalismo, tão típico da pessimista alma lusitana eterna amante das tragédias de proporções bíblicas. Quanto pior melhor parece ser o mote. Se as coisas não estão boas, pior ainda as pintamos.
Por isso nas últimas férias fiz greve à internet e aos noticiários, tendo passado duas semanas quase desligado do mundo. E que bem que soube! Não que fosse alheio ao que se passa à minha volta, pois qualquer pessoa fazia questão de me lembrar que as coisas não andam fáceis, como se fosse algo que não salta à vista de qualquer um, principalmente na minha cidade natal, hoje quase uma aldeia... Daí também a falta de inspiração. Para quê escrever sobre aquilo que todos escrevem, pois todos sentem e vivem o mesmo? Talvez seja apenas uma fase, afinal todos vivemos momentos de pura inspiração e outros em que nem a mais simples banalidade conseguimos articular de modo a fazer sentido.
No meu caso há épocas em que tenho necessidade de uma "desintoxicação" online, de me afastar de tudo o que seja site noticioso ou blogue (telejornais incluídos), a bem da minha saúde mental, tal a profusão de cataclismos que uma pessoa encontra. Esta é uma dessas épocas. Além disso a realidade Lusitana é neste momento demasiado surreal para que estes olhos, que assistem ao longe, consigam vislumbrar algo com sentido acerca da mesma.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Divagação sobre Portugal, a crise, Angola e o futuro

No dia do fim do mundo, se Deus quiser, lá estarei a bordo do avião que me carrega de volta a casa, para umas merecidas férias.
Tem sido cada vez mais com um sentimento ambíguo que regresso para férias, se por um lado o cansaço é mais que muito e as saudades esmagadoras, por outro o cenário que encontro é cada vez mais desolador e o espírito daqueles que reencontro andam cada vez mais em baixo. Chega a roçar a esquizofrenia deixar em apenas 8 horas um local onde tudo melhora a olhos vistos e o ânimo reflecte-se no empenho que vemos no dia-a-dia para as coisas acontecerem, para outro, que ainda por cima é a nossa casa, onde tudo desmoronou e quase não há forças para reerguer o que se julgava garantido. Aqui abre-se a porta do desenvolvimento e as coisas começam a surgir. Aqui nada era garantido, tomar um duche era (e ainda é) um luxo, assim como iluminar a casa, mas já não vai sendo. Sente-se a prosperidade a crescer com o passar do tempo. Acredita-se num futuro. Tudo o contrário acontece na nossa terra. Descobrir que afinal o que tínhamos como garantido tinha sido conquistado com o dinheiro dos outros e que estes nos fecharam a torneira dói, dói muito. Mas nada está perdido pois, quer queiramos quer não, o mundo não irá acabar no dia 21, pelo que teremos um futuro pela frente, o qual será aquilo que quisermos que ele seja. Depende de nós e apenas de nós. Seremos aquilo que fizermos hoje.
Os Angolanos podem aqui dar-nos uma excelente ajuda, não pelos negócios, não pelas suas importações ou investimentos no nosso país, pelo grande exemplo que são de um povo que soube reerguer-se das cinzas (literalmente!). Eles perderam tudo, viveram o maior horror possível que é uma guerra entre irmãos, mas uniram-se e estão a reerguer-se enquanto nação, juntos estão a fazer por um futuro melhor no qual acreditam incondicionalmente e sem reservas. Mas para eles não há "fado", só importa que se faz no dia-a-dia, naquele preciso instante; o futuro é isso mesmo: futuro e desconhecido. Por isso uma características mais enigmáticas dos tugas para os angolanos é o nosso cinzentismo, o nosso fatalismo, como se actuássemos sempre à espera do pior. Como é possível construir um futuro sem acreditar, pelo menos, que o melhor está ali ao virar da esquina? O que foi já não volta a ser, já lá vai, por isso é inconcebível que desejemos voltar ao que éramos há uma década atrás, essa vida já não volta; somos pobres sim, mas só deixaremos de o ser se nos mentalizarmos de vez da nossa condição actual e acreditarmos piamente que o deixaremos de o ser num futuro próximo. E não esperemos favores nem dádivas de alguém, ninguém dá nada e tudo se paga; estaremos por nossa conta, caso contrário seremos o que outros quiserem ao invés daquilo que desejamos.