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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Timing BEStial

Serei só eu a ver uma enorme coincidência no timing entre a saída da troika e o trambolhão do BES?

Não acredito em bruxas, mas...

E já nem pergunto o que andaram cá a fazer três anos para ninguém ter olhado com olhos de ver.

domingo, 24 de novembro de 2013

Meio milhão de desocupados ou de descriminados?

Enquanto a brigada do reumático que afundou a nação anda desesperada para manter as regalias, enquanto os sindicatos estrebucham pelos já instalados, enquanto comunistas e que-se-lixem-a-troika suspiram pela revolução que transforme Portugal na Cuba da Europa, há já meio milhão de jovens que não trabalham nem estudam. Destes, tal como os verdadeiros pobres como diz César das Neves, ninguém fala.
Décadas de leis do trabalho proteccionistas que tornaram a economia anquilosada e dependente do Estado, seguidas de políticas educativas fantasiosas e alheadas da realidade resultaram nisto. Se no trabalho e na economia foi tudo feito para afastar a concorrência e proteger os instalados, na educação foi e continua a ser tudo feito em prol dos alunos que gostaríamos de ter ao invés daqueles que realmente temos. No fundo tudo se resume a uma gritante falta de liberdade. O paizinho Estado toma conta de nós e nós pagando impostos não temos de nos preocupar, pois não somos responsáveis pela nossa condição, já que não temos liberdade de escolha.
Se dúvidas houvesse que o salário mínimo é o maior entrave no combate ao desemprego aqui está uma das maiores provas. Estes jovens com baixas qualificações e sem experiência profissional dificilmente conseguirão entrar no mercado de trabalho e a situação é tão ou mais grave que fruto da crise muitos deles também não têm capacidade financeira para melhorar a sua formação académica. Urge assim ao suposto governo mais liberal de sempre abrir os olhos e fazer algo diferente do que tem sido feito nas ultimas décadas. Há coragem ou vamos continuar a empurrar com a barriga até ao estouro final?

sábado, 26 de outubro de 2013

A inconstitucionalidade da crise

A grande conclusão a tirar da crise que o país atravessa é que é inconstitucional Portugal estar em crise.
Trabalho, liberdade e sobretudo dinheiro, são coisas de somenos importância, pois desde que estejam escritas são coisas adquiridas e ponto final. Se está na Constituição temos direito à coisa e mais nada, o governo que se desenrasque mas tem que nos dar o que está no papel. Pelo menos a discussão está aí e pode ser que finalmente o povo comece a ver a dura realidade de ter um texto a reger os destinos do país no qual promete mundos e fundos, mas não assegura como se conseguem tantos direitos e garantias e que, por outro lado, apenas garante aumentos de dívidas e impostos. Atirar o país para a falência não é inconstitucional; somos peritos, tanto que já o fizemos três vezes em três décadas.
No meio do fumo que a casa em chamas está a largar esquecemos o essencial: a Constituição jamais devia dar por adquirido aquilo que deve ser conquistado, que deve ser merecido, mas sobretudo, o que custe dinheiro, pois pelo Estado o que é dado a alguém é tirado e a única forma de garantir isto é assegurando as liberdades individuais e limitando os abusos de poder. Sem deveres não há direitos. O respeito por estes princípios elementares é quanto bastaria a Portugal para sair do atoleiro em que está metido.

Leitura recomendada, no Insurgente, sobre a "implosão constitucionalíssima" que se avizinha: aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Perguntar não ofende

Como é possível num país que declara 3 falências em 35 anos serem os políticos que o governaram desde então a ocuparem todo o espaço mediático?

Diz-se que a definição de loucura é repetir o mesmo comportamento e esperar resultado diferente, logo...

domingo, 18 de agosto de 2013

Uma excelente notícia sobre a entrevista de Judite ao jovem Lorenzo

As ondas de choque estão a ser enormes, mas, muito provavelmente, contrárias à intenção da vergonhosa e escandalosa prestação da Sra. Judite de Sousa.

Parece mentira, mas da esquerda mais radical à direita mais liberal as reacções são unânimes.

Afinal há esperança para Portugal; um país tido como transpirando inveja por todos os poros, mostra com as reacções nas redes sociais a este episódio que há muita gente com valores diferentes da mesquinhez mais reles que grassa pelas redacções dos nossos media.
E isto, sim, é uma excelente notícia.

sábado, 10 de agosto de 2013

Da obsessão em afundar Portugal

Se há coisa para a qual já não tenho a mínima paciência é para o "coitadismo" nacional lusitano. Português de Portugal só sabe falar mal. Não vale a pena dizer mais porque é mesmo assim. Ponto.
O nacional-lamentismo ainda era coisa tolerável antes do eclodir da grande crise, mas com a terceira falência em três décadas a coisa agravou-se e é vê-los e e ouvi-los por tudo quanto é sitio. Esta crónica de um tal Bruno Proença, no Diário Económico, é um dos mais recentes e melhores expoentes da coisa (e um excelente texto para substituir o papel higiénico numa ida ao wc). Sinceramente estou farto, muito cansado mesmo, desta moda de olhar com pena para nós, emigrantes, e pintar de preto o futuro nacional. Ah e tal coitadinhos, têm tanta formação e tiveram de ir embora, foram empurrados como diz o Bruno Proença.
Dou um conselho a quem partilha desta preocupação: não se preocupem. Nós, emigrantes, dispensamos muitíssimo bem esta preocupação bem falante, pois em boa hora emigrámos e fugimos, sim, fugimos, desse pessimismo reinante, desse fatalismo que consume Portugal, que afoga a ambição e enterra todo um povo na maior das misérias possíveis: a falta de esperança. Que malvada obsessão pelo fracasso, pelo derrotismo, pela miséria material e humana é esta que queima tudo quanto toca?! Se nada mais têm a dizer ou a fazer em prol da nação à qual dizeis pertencer, fazei um favor para bem de todo Portugal: calai-vos de uma vez por todas! Mesmo com o a sol a brilhar intensamente, havíeis de encontrar forma de lamuria  nem que fosse pelo calor. Sabemos que os tempos não são fáceis e por isso não precisamos que nos gritem todos os dias aos ouvidos a mesma coisa, tal como a um faminto não se pergunta se tem fome. Diz ainda o Sr. Bruno, no titulo do seu texto, que a geração dos trinta  está de castigo, imagine-se... O tanas! A nossa geração foi literalmente lixada com F grande pela geração anterior, mas isso são contas de outro rosário e não é com choradinhos que se arruma a casa. Adiante.
As boas notícias podem andar por aí, mas, sempre escondidas, como mandam os cânones do nacional-lamentismo, como se uma puta de uma boa noticia não fosse o melhor bálsamo para o espírito em tempos tortuosos. Jamais vi ganharem-se guerras e batalhas com bota-baiximos, lamurias e cantigas de fado. Deve ser isto aquilo que Henrique Raposo descreve aqui como a obsessão queirosiana, onde não posso estar mais de acordo com o mesmo: o nosso problema não é material, está mesmo na cabecinha.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O (In)seguro

 
Imagem via ionline
 
"O que fez Cavaco? Arranjou uma catraca para dar a mão ao oco. Deu-lhe a oportunidade de passar a ser importante nas negociações com a troica, de fiscalizar, via acordo, o comportamento do governo e de juntar argumentos para o vir a substituir. Ainda por cima, dizendo-lhe que se preparasse porque ia ter a sua oportunidade dentro de um ano e não de dois. Querem mais? É difícil.
O que aconteceu? O oco ou não percebeu patavina ou teve medo. Perante a ululante corte socrélfia, perante os dislates dos cadáveres adiados – Soares, Sampaio, Alegre, por exemplo - perante os sinistros ataquinhos do Costa, perante a habitual protecção dos media e de todo este género de gente, o oco apanhou um cagaço de tal ordem que borregou. Acobardou-se.
É evidente que, se tivesse aproveitado a oportunidade de ouro que o PR lhe oferecera, teria chegado a um acordo qualquer, mas a alcateia não perdoava. Houve até um tipo que disse que o PS se partiria em dois! Se calhar, o oco acreditou na ameaça. Não percebeu que, da alcateia, poucos haveria que abandonassem o barco, única via de ter esperança de voltar a ser gente. Não percebeu que a moderação que mostrasse lhe iria grangear uma multidão de votos na área do PSD. Não percebeu nada."
 
Ide ler o texto completo de António Borges de Carvalho no Irritado.

sábado, 6 de julho de 2013

A antecipada parvoíce de uma crise vista ao longe

Estamos a dar um triste espectáculo, sem rodeios e preto no branco é aquilo que vê quem está de fora.
Vítor Gaspar que era tão bom, tão competente, tão recto, a pessoa ideal para o leme em mar tempestuoso, afinal não aguentou a contestação do zé povinho. Simplesmente porque, como eu sempre defendi, era alguém que estava completamente desligado do país real, vivia de e para números, ou seja nas nuvens. A seguir o que faz o parceiro de coligação? Uma birra, pois bem. Excelso sentido de Estado, responsabilidade e comprometimento com a nação. Sem dúvida tudo aquilo que o CDS sempre defendeu... Ah não gostou da escolha? Azar. Discuta, proponha outra, faça o que entender (não tem uma reforma do Estado para apresentar?), agora bater com a porta com todas as mais que conhecidas consequências é andar a brincar e gozar com quem lhe paga o salário. Como se diz na minha terra mostrou o cuzinho todo, que é como quem diz a face: o poder pelo poder. Vai daí os tão famigerados mercados, tão odiosos e malvados, lá mostraram a verdadeira face desta palhaçada toda: que não governamos, nem nos deixamos governar, mas, mais importante ainda, que continuamos falidos, algo que parece escapar a uma grande falange dos nativos da Lusitânia.
Entretanto o circo continua, com a esquerda radical a masturbar-se com a crise despoletada e os socialistas a salivarem com o vislumbre da cadeira do poder. Há ainda por aí umas criaturas iluminados que pedem eleições antecipadas. Em Portugal gosta-se muito de pedir eleições antecipadas. Aliás gostamos muito de antecipar seja o que for, basta ver a quantidade de criaturas-fazedoras-de-opinião que pululam pelos nossos media, como puro lixo tóxico, antecipando tudo e mais alguma coisa excepto a nossa tremenda incompetência para governar, enfim... O governo mexe no meu queijo? Eleições antecipadas! Há uma crise política? Eleições antecipadas! Eu muito me engano ou está mesmo tudo doido ou o calor está a dar cabo da tola a muita gente. A ver se nos entendemos: houve eleições há dois anos atrás, foram escolhidos os partidos para nos governar durante quatro anos. Falar em eleições novamente é uma total idiotice e uma tremenda infantilidade. É que não há outro adjectivo. Bonito seria sempre que um governo toma uma medida impopular (ui tantas que ainda há para tomar!) ou a qualquer crise política houvessem eleições. Mas esse tipo de gente não tem nada na cabeça?! Ou foram demasiado mimados na infância e os papás faziam-lhes as vontadinhas todas não antecipando a idade adulta?!
Menos mal que no meio disto tudo há um PM com algum bom senso. Não está isento de falhas e erros, que os tem como qualquer ser humano (é impossível agradar a gregos e troianos), mas tem aquilo a que se exige a um líder em momentos difíceis: calmo, sóbrio e tranquilo. Algo que escasseia há muito pelas nossas elites. Portanto vamos mas é manter a calma, olhar em frente e continuar a trabalhar, pois por muito que nos custe ainda não há pão para malucos.

Publicado também aqui.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Já andam a comprar tinteiros?

Eu só gostaria de relembrar à esquerda, que delira com a crise política e saliva só de vislumbrar a cadeira do poder, que também não será ela a tirar-nos do buraco onde estamos, simplesmente porque continua a não haver dinheiro.

Ou julgam que o BCE vos empresta uma impressora?!

Se é assim é tirem o cavalinho da chuva e invistam antes em airbags porque o embate com a realidade vai ser brutal.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

I-N-G-O-V-E-R-N-Á-V-E-L

Agora, venha o diabo e escolha: 2º resgate, bancarrota ou sairmos do Euro.

Depois, é agradecer ao inqualificável Paulo Portas e aguardar por um futuro (in)Seguro.

Agarrem-se porque o estrondo vai ser titânico...

domingo, 23 de junho de 2013

Portugal existe?!

O nosso país começa a ser de tal forma surreal que um tipo dúvida que exista mesmo um local assim.

Um dos ministros mais liberais do governo mais liberal de Portugal quer incentivar o emprego daqueles que menos necessitam:


Querem ver que dos 20% de desempregados há imensos doutorados e nós não sabíamos? Quer-me parecer que o problema mais grave é mesmo na ausência de qualificações. 
E a mim parece-me que o problema de reter cérebros tem a ver com uma coisa que escasseia muito no país: dinheiro para os pagar; e não será com medidinhas que a tesouraria das empresas passará a tê-lo.
A gestão de empresas é algo que não assiste o nosso governo mais liberal de sempre.

Menos mal que existe um Seguro contra a desgraça.


Que é como quem diz: atacai o pote que ainda há muito por onde comer.
Ou isso julgam eles. Pois só assim explica a pérola de assumir como prioridade política para as câmaras a criação de postos de trabalho no país. Nada mais fácil: é triplicar o número de funcionários em cada uma e assunto resolvido, naqueles Municípios onde a câmara já é a maior entidade empregadora passará a ser a única. Será o paraíso socialista em todo o seu esplendor.

Bem nos pode valer Nossa Senhora de Fátima para nos salvar de tamanha desgraça.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Não se arranja um imposto para a parvoíce?


É, talvez, a tirada mais tristemente hilariante dos últimos tempos:


Nomeadamente na construção, diz o mesmo.

Coitados dos nórdicos, tão pobres que são por causa do mau tempo que por lá faz. Na Escandinávia então, pobrezinhos, há anos que não há investimento.
Como economista que é Gaspar devia saber que o mau tempo devia ter impulsionado outros investimentos que compensariam a perda na construção, tais como, sei lá, o fabrico de guarda-chuvas, abrigos, cachecóis, aquecedores, etc... O enorme aumento de impostos é que não tem nada a ver.

Isto é o que dá viver de e para os números: quando estes não batem certo qualquer desculpa serve, nem que sejam os gambuzinos. Ou então é apenas gozar com o pagode.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mania das aparências

Nesta notícia no El País sobre a interrupção da intervenção de Passos Coelho ao som de Grândola Vila Morena podemos ler esta descrição dos intervenientes:

"Los manifestantes pertenecen al movimiento civil 'Que Se Lixe a Troika' (Que se joda la troika en portugués)"

Dirão que a tradução do "lixe" está mal feita. Não, não está.

É que nestas coisas nuestros hermanos são muito mais sinceros, pois não me venham com cantigas, já que em todo o lado ouvimos a versão castelhana e não só aplicada à Troika.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Políticos, politiqueiros e a política do betão

Parece que Cristóvão Crespo, Presidente da Comissão Política Distrital de Portalegre do PSD, e deputado eleito pelo circulo de Portalegre, ousou criticar a política socialista vigente há duas décadas em Elvas apelidando-a como dramática. Como seria óbvio o Presidente da Câmara, José Rondão de Almeida, não gostou e vai daí nada como apelidar Cristóvão de "polítiqueiro de meia algibeira".
Tenho para mim que qualquer refutação de uma crítica se faz pela argumentação factual devidamente justificada e não pelo insulto directo e pessoal. Mas pronto, isso sou eu.
Nisto de política o que na prática interessa são os resultados, mais que as boas intenções, promessas e tudo o resto, e se olharmos para Elvas, os resultados estão bem à vista de todos: a maior taxa de desemprego da região, o menor rendimento per capita das cidades alentejanas, uma economia anquilosada e arcaica (se é que existe economia) e betão, muito betão. Sem dúvida que Elvas tem obra para mostrar e se o desenvolvimento se medisse pelas quantidades de cimento e asfalto a cidade era o paraíso na terra. Mas infelizmente a quantidade de rotundas, campos da bola, estradas, passeios e fontes não alimentam o povo, nem lhes enche os bolsos, como atestam duas décadas de socialismo; ainda que apesar de pobres mas honrados, pois afinal o Município não tem dívidas, o que lhe permite avançar com programas sociais para minorar as dificuldades. É verdade que a crise nacional e internacional não são alheias à situação de Elvas, mas, quer queiramos quer não, não se lhes pode imputar na íntegra os resultados de duas décadas de governação, a não ser que se assuma a posição tão lusitana da culpa ser sempre dos outros.
Mas nem tudo é mau, a cidade é agora Património da Humanidade e isso significa, como não podia deixar de ser, obras como por exemplo uma excelente e moderna circular à cidade para receber as hordas de turistas que certamente chegarão. Enquanto isso não acontece, aos Elvenses, sobra contemplar as obras com o nome do edil, ler notícias como a do El País há uma semana atrás e esperar por melhores dias.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

"Entre nós é vergonhoso reconhecer a própria pobreza, mas pior que isso é não esforçar-se para escapar dela" (*)

Camões terminou a sua epopeia com a palavra "inveja", como que atestando ad eternum, quiçá, a nossa pior característica enquanto povo. Invejamos especialmente o sucesso e a prosperidade, elegendo como alvo preferencial essa classe ignóbil que são os ricos. Invejamo-los não porque desejemos ser como eles, mas antes que eles fossem como nós: pobres. O português não quer ser como o rico, prefere que o rico fique pobre.
Isto jamais aconteceria numa sociedade onde fosse fácil e atingível enriquecer, onde o mérito fosse premiado e recompensado. É tarefa hercúlea enriquecer em Portugal. Até a cultura popular o atesta dizendo que "quem cabras não tem e cabritos vende de algum lado lhe vem". Por todo o nosso colectivo existe a imagem, bastante palpável, de que sem as ligações certas ou por meios obscuros dificilmente se enriquece em Portugal. Quem não nascer em "berço de ouro" parece condenado à partida à sua condição social, sendo que os poucos que nele nascem parecem tudo fazer para não terem sombras de outrem ao seu status quo, pois afinal o respeitinho é muito bonito e a concorrência só é salutar no futebol. Mas apesar de tudo, felizmente, existem (alguns poucos) ricos em Portugal, por isso apelamos a uma maior igualdade na distribuição de rendimentos, de preferência sob a batuta de sua santidade o Estado: que os pobres sejam menos pobres e os ricos menos ricos; que se apoiem os primeiros com os impostos sobre os segundos. Pelo Estado se enriquece, pelo Estado se empobrece.
E assim emigramos, procurando ser lá fora como os ricos que diabolizamos cá dentro. Enquanto não existir a liberdade de fazer escolhas e de assumir as suas consequências pela procura da prosperidade, sem o empecilho de um Estado controlador e manipulador, dificilmente o panorama irá mudar. Por isso emigramos, procurando e encontrando lá fora a riqueza e prosperidade que nos é negada cá dentro. Porque sabemos que a distribuição e a igualdade não funcionam, mas enquanto não assumirmos que sem criação de riqueza a única coisa a distribuir é pobreza estaremos todos condenados a esta última.

(*) Tucídides, As Guerras do Peloponeso

Publicado também aqui.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Elvas no El País

Retrato de um país que se alegra por regressar aos mercados, mas cujas crianças levam da escola a refeição para casa:

sábado, 27 de outubro de 2012

O Plano B




Tenho para mim, pelo que leio nas últimas notícias, que o plano B do Governo e da Troika, caso a execução orçamental derrape em 2013, seja mais ou menos isto.

domingo, 21 de outubro de 2012

Deixa andar e depois logo se vê

Com mais um governo sob fogo cerrado e com a contestação nas ruas como há muito não se via começa a instalar-se a ideia de Portugal ser um país ingovernável.
Três falências em 38 anos de democracia não são para qualquer um e são motivo mais que suficiente para equacionar o epíteto de Estado falhado. Bem sei que o adjectivo é forte demais, mas um Estado no qual os seus cidadãos têm a sensação de que a justiça não funciona, onde há impunes, onde é quase impossível enriquecer sem as ligações certas, onde mais que cidadãos são tratados apenas como contribuintes sugados para a bancarrota e onde os seus salários são pagos de forma recorrente pelo FMI não merece ser considerado um verdadeiro Estado. Por muito que nos doa é hora de encarar a realidade: o regime não funciona. E não vale a pena vir dizer que as elites são fracas e as lideranças mais fracas ainda, que o são, mas foram paridas no seio do mesmo povo que governam, nasceram no mesmo país, andaram nas mesmas escolas e universidades que todos nós, e um povo que faz da selecção de futebol um desígnio nacional e do fado um estilo de vida tem as lideranças que merece. Já se disse que não governamos, nem nos deixamos governar. Nada mais longe da verdade, o problema é não nos interessarmos sobre como devemos ser governados. Quando a exigência e o mérito não são apanágio da prática diária de um povo é mais que normal surgirem lideranças fracas. E quando falo de exigência não me refiro a ir para a rua gritar palavras de ordem quando nos vão ao bolso, mas por exemplo manifestar um pouco de indignação quando um certo emigrante em Paris prometia o paraíso com dinheiro dos outros a troco de duplicar a dívida pública.
É por esta falta de exigência, este "deixa andar", este "depois logo se vê", que o país chegou a um estado perto do irrespirável, a um estado em que o chico-espertismo e o amiguismo levam a avante sobre o mérito e o esforço. Não por acaso nem um só político em Portugal se atreve a prometer trabalho, esforço e sacrifícios em campanha eleitoral e ele vê-se onde as facilidades e o progresso nos trouxeram... Só mesmo por manifesta ingenuidade muita gente ainda se pergunta porque quando emigramos mudamos tão radicalmente e lá fora somos excelentes em tudo o que fazemos. Nada mais fácil: o esforço recompensa, mesmo sabendo que nos espera muito trabalho. E em Portugal? Saberemos de que servirão os sacrifícios e o imenso trabalho de hoje? Se não, talvez seja hora de repensar de vez o sistema e recomeçar de novo.

Publicado também aqui.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sobre o OE 2013

Depois de 36 anos a abrir caminho creio que os portugueses finalmente começam a compreender o que é a sociedade socialista.

domingo, 23 de setembro de 2012

Um país aos solavancos

O actual governo não serve, pronto. O povo saiu à rua, os senadores da nação falaram, os jornalistas escreveram, os comentadores comentaram e é ponto assente: este governo não serve.
Da mesmo forma que outro também não serviria. Guterres não servia, Durão não servia, Santana nem se fala, mas Sócrates até era fixe. E quem vier depois deste governo certamente vai lançar saudades de PPC. É infalível; a lusitana saudade adoça sempre o passado. E pessimistas como somos a coisa atinge níveis próximos da patologia, já que o imediato é tudo, o longo prazo não existe e o resultado final, não se vislumbrando, não existe. Em Portugal parece que nos importamos mais como o campeonato começa do que como acaba. Vai daí tomar medidas não é para qualquer um, procuramos um resultado futuro mas sem prejudicar os efeitos imediatos. Adoramos a equidade (seja lá o que isso for), pois temos que agradar a gregos e troianos. E toda a gente opina, toda a gente comenta, todos sabem como sair da crise, todos governam (é Tribunal Constitucional, é Conselho de Estado...), mas não nos sabemos governar e já pedimos ajuda três vezes.
Ora corta subsídios, ora não corta subsídios, ora privatiza RTP ora não privatiza, ora mexe na TSU ora já não mexe na TSU... Bem sei que por vezes é necessário dar um passo atrás, para de seguida dar dois em frente, mas Portugal além de dar o passo atrás (empobrecendo ou limitando-se à sua real condição), já anda em zig-zag, o que talvez seja mais perigoso, pois com tanta curva e contra-curva a malta acaba ainda mais desorientada e corremos o risco de despiste.