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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Uma cambada de socialistas

"Quando falo de normalidade digo que devemos olhar para os grandes números, não para este caso aqui, este caso ali..."

Isto não foi dito por um membro do PCP, do BE ou sequer do PS; foi dito, na semana passada, por Nuno Crato em plena Assembleia da República.

Um dos ministros mais liberais do governo mais liberal de sempre... (Não se riam porque há gente que acredita nesta idiotice).

Um governante que despreza desta forma o indivíduo, que coloca o todo acima das partes, que ignora os "casos isolados" (para usar uma expressão tão do agrado dos nossos políticos) em favor de uma "causa" ou objectivo maior, não merece os nossos votos, não merece a nossa confiança, não merece o salário que lhe é pago também pelos impostos "deste caso aqui, este caso ali".

Não passa de mais uma jarra a ornamentar a imensa galeria desta cambada de socialistas que nos (des)governa há 40 anos.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Ainda sobre as praxes

Como liberal, que tem a dignidade da pessoa humana como valor supremo, sou totalmente contra.
São uma idiotice pegada, sem sentido algum, completamente retrógradas e ridículas. Vou ainda mais longe: são elas uma das maiores causas para a falta de espinha dorsal do povo português. Como é possível pessoas adultas, no auge das suas capacidades intelectuais, sujeitarem-se a tamanhas figuras tristes, ao ridículo, a humilhações físicas e psicológicas, apenas pela vã promessa de pertencerem um dia a uma casta superior na hierarquia social? São tradição, são divertidas e tal... Não me venham com merdas, pois há formas mais civilizadas de receber um caloiro na universidade! Mas pior, mesmo, não é haver quem as pratique, mas quem a elas se sujeita.
E assim temos o povo português, guiado por tais elites, sujeito pela vida adiante a paulada atrás de paulada, sacrifício atrás de sacrifício, pela vã promessa de um dia pertencer a um grupo superior.

domingo, 24 de novembro de 2013

Meio milhão de desocupados ou de descriminados?

Enquanto a brigada do reumático que afundou a nação anda desesperada para manter as regalias, enquanto os sindicatos estrebucham pelos já instalados, enquanto comunistas e que-se-lixem-a-troika suspiram pela revolução que transforme Portugal na Cuba da Europa, há já meio milhão de jovens que não trabalham nem estudam. Destes, tal como os verdadeiros pobres como diz César das Neves, ninguém fala.
Décadas de leis do trabalho proteccionistas que tornaram a economia anquilosada e dependente do Estado, seguidas de políticas educativas fantasiosas e alheadas da realidade resultaram nisto. Se no trabalho e na economia foi tudo feito para afastar a concorrência e proteger os instalados, na educação foi e continua a ser tudo feito em prol dos alunos que gostaríamos de ter ao invés daqueles que realmente temos. No fundo tudo se resume a uma gritante falta de liberdade. O paizinho Estado toma conta de nós e nós pagando impostos não temos de nos preocupar, pois não somos responsáveis pela nossa condição, já que não temos liberdade de escolha.
Se dúvidas houvesse que o salário mínimo é o maior entrave no combate ao desemprego aqui está uma das maiores provas. Estes jovens com baixas qualificações e sem experiência profissional dificilmente conseguirão entrar no mercado de trabalho e a situação é tão ou mais grave que fruto da crise muitos deles também não têm capacidade financeira para melhorar a sua formação académica. Urge assim ao suposto governo mais liberal de sempre abrir os olhos e fazer algo diferente do que tem sido feito nas ultimas décadas. Há coragem ou vamos continuar a empurrar com a barriga até ao estouro final?

sábado, 7 de julho de 2012

Notas soltas sobre um país visto ao longe

O caso da licenciatura do Ministro Relvas mostra como somos um país de doutores. Não importam as competências pessoais e profissionais, num país desprovido de mérito só conseguimos ser reconhecidos com um canudo na mão. Jogo de aparências, complexo de inferioridade, sociedade de castas, chamem-lhe o que quiserem, na realidade é uma sociedade sem valores, que reconhece as pessoas pelo titulo que ostentam e não pelas suas  capacidades. Relvas apenas seguiu a corrente.

Enfermeiros contratados a quatro euros à hora não devia chocar ninguém. Já analisaram a quantidade de vagas em enfermagem disponíveis todos os anos nas universidades? Estamos perante um simples caso de oferta e procura, nada mais. O desfasamento entre a oferta educativa e o mercado de trabalho em Portugal é brutal, mas continuamos alegremente a assobiar para o lado enquanto nos escandalizamos pelos baixos salários de uma horda de licenciados desnecessários. Não há inocentes nestes casos. Que sirva, pelo menos, para repensar todo o sistema de ensino superior, onde a asneira começa no sistema de acesso que empurra milhares de estudantes para cursos que não queriam como primeira opção, bem como desnecessários ao nosso mercado tal a enormidade de vagas disponíveis. Grande parte da nossa crise passa por aqui, onde a muitas bolhas acabámos de juntar a da educação.

O General Romano Galba escreveu que "Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo que não se governa, nem se deixa governar". Bem podia estar a referir-se à actual situação do país e em particular ao recente acórdão do TC sobre os cortes no subsídios da função pública. Em Portugal o homem sonha, o Governo decide e a Lei limita. Há décadas que assim é. Pelo menos talvez assim quem nos governa comece a trabalhar a sério, ao invés fazer sempre as coisas pelo caminho mais fácil. O facilitismo é o caminho dos incompetentes e dos fracos e destes não reza a História a não ser por maus motivos. Há muito por onde cortar sem ser àqueles que mal têm para comer e pagar as contas do lar. Não o fazer é alimentar a monstruosa mentira que o Estado português gasta correctamente o dinheiro dos nossos impostos.

A contestação saiu à rua. Não há dia em que não haja gritos e insultos a qualquer membro do governo onde quer que ele vá. Não que seja injusto, mas dizem que Paris nesta altura do ano é muito agradável. Acho que a malta anda a reclamar a factura ao funcionário errado, se bem que este até agora não mostrou lá muito serviço, já que a casa está a ser gerida em regime de outsoursing (leia-se Troika). Mas quem nos governa ou é muito honesto ou muito ingénuo, caso contrário, para acalmar os ânimos à malta, já tinham prometido um plano de crescimento conjugado com um plano tecnológico, um aeroporto em Curral de Moinas, uma plataforma logística em São João da Murrunhanha, e sei lá, talvez mais 150 mil empregos, não?

sábado, 18 de junho de 2011

A insustentável ignorância do Embaixador de Portugal em Angola

Francisco Ribeiro Telles, Embaixador de Portugal em Angola, deu há cerca de 15 dias uma notável entrevista ao jornal O País.
A dada altura a coisa reza assim:

"Há em Luanda a Escola Portuguesa, oficialmente reconhecida, e haverá uma em Benguela, mas têm surgido outras escolas que se dizem de ensino português, na metodologia, calendário e curriculum de ensino.A Embaixada tem alguma ligação com essas escolas, segue-as?

Não. Nós não temos nenhuma ligação jurídico-administrativa com essas escolas. A ligação que temos é com a Escola Portuguesa de Luanda, que cresceu muito nos últimos anos, com um número impressionante de alunos.É uma escola que oferece qualidade … a nossa ligação, em termos de ensino, é à Escola Portuguesa de Luanda.Tenho conhecimento que começa a existir uma ou outra “escola portuguesa” aqui, mas isso é do âmbito puramente privado.

Portanto, Portugal não se responsabiliza pelo curriculum e qualidade dessas escola, ainda que a propaganda faça entender ao cliente que é qualquer coisa reconhecida e tutelada pelo Estado português, pelo Ministério da educação de Portugal?

Penso que o regime jurídico em que operam aqui estas escolas diz respeito ao Ministério da Educação de Angola, que é responsável pela instalação destas escolas em Angola. A questão das equivalências em Portugal, isso não lhe posso adiantar porque desconheço como é que os currículos se estão a desenvolver."


Francisco Ribeiro Telles, Embaixador de Portugal em Angola, ignora por completo tudo o que não seja a Escola Portuguesa de Luanda, mas visitando o site do Consulado-Geral de Portugal em Luanda, consultando a informação sobre o ensino temos acesso a isto:


(Clique para ampliar)

Ou seja, o nosso Embaixador ignora que "essa uma outra escola portuguesa" de âmbito privado estão referênciadas pelo Consulado e se chamam Colégio Português de Luanda e Colégio São Francisco de Assis. Mas há mais...
O nosso Embaixador ignora que existem cidadãos portugueses inscritos no Consulado como Professores do Colégio Português de Luanda e do Colégio São Francisco de Assis, sendo estes a quase totalidade do respectivos corpos docentes e direcções pedagógicas.
O nosso embaixador ignora que o nosso Consulado entrega, em malas diplomáticas, as provas de aferição e as provas globais enviadas pelo Ministério da Educação de Portugal para o Colégio Português de Luanda e Colégio São Francisco de Assis, sendo que estes as devolvem ao Consulado após a sua realização.
O nosso embaixador ignora que quando um aluno do Colégio Português de Luanda ou do Colégio São Francisco de Assis pede transferência para Portugal é inscrito no ano lectivo para o qual transitou e o seu dossier é enviado para a espectiva escola, porque estes colégios têm o curriculo português devidamente reconhecido.

Convêm ainda esclarecer que estas duas instituições privadas não recebem um cêntimo de apoio do Estado Português. São privados e com orgulho. Têm um corpo docente qualificado, expatriado, recrutado em Portugal e ao qual oferecem as mesmas boas condições que qualquer empresa - alojamento, transporte, viagens - já não se podendo dizer o mesmo da Escola Portuguesa de Luanda. Desenvolvem um excelente trabalho, com um ensino de excelência que em nada fica atrás dos melhores privados em Portugal. Ainda assim são olimpicamente ignorados pela nossa diplomacia.
É caso para afirmar que com embaixadores destes a lingua Portuguesa não precisa de inimigos.