Mostrar mensagens com a etiqueta Elvas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Elvas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de agosto de 2014

sábado, 26 de julho de 2014

Uma tragédia elvense

A recente telenovela na Câmara Municipal de Elvas será, até agora, o ponto alto de uma tragédia que (des)governa Elvas há duas décadas.
Estava à vista de todos que Rondão Almeida, personagem egocêntrica até mais não (basta ver a quantidade de placas com o nome do sujeito), não abdicaria do poder que exerce há vinte anos, a dúvida de todos era se Nuno Mocinha seria apenas um testa de ferro, uma mera marioneta para ocupar uma cadeira. A resposta foi contundente e clara: "Não fui eleito para presidente de fechada". E a meu ver uma excelente e necessária resposta. Chega de Rondão Almeida. Basta.

Há muito se vê que Rondão não dá mais, aquilo é e será sempre o mesmo: betão, festas e festarolas, betão, excursões e almoçaradas para idosos, betão e porcos no espeto para inaugurar cada passeio ou nova rotunda, sempre com a sua brigada do reumático atrás a bater palmas e fazer vénias ao novel comendador. Tudo isto pago com nossos impostos, à taxa máxima, como não podia deixar de ser.

Durante duas décadas esta política secou a economia privada, castrou a iniciativa, vergou os interesses à política e limitou as liberdades individuais. Uma Câmara rica, uma cidade pobre e miserável. Um quinto dos seus cidadãos está no desemprego, um terço vive de apoios sociais, o rendimento per capita é o mais baixo das cidades alentejanas.
Por tudo disto devíamos perguntar: como é possível o sujeito ainda merecer votos? A resposta, contudo, é fácil e dolorosa, basta atentar que foram políticas dirigidas à maior fatia da população: os idosos. No entanto outra pergunta intriga: como podem bater palmas a políticas que expulsam os seus filhos e netos em busca de melhor sorte?! Infelizmente, numa cidade com um tecido socio-económico frágil e de parcos recursos, haverá sempre quem se sujeite a trabalhar por uma migalha. É o socialismo em todo o seu esplendor. A miséria como forma de submissão.

Por isso o tempo urge para mudanças fulcrais na política elvense. É tempo de começarmos a pensar como vamos pagar no futuro a manutenção de tanta infraestrutura, de analisar o retorno de tanto investimento, de tanta obra de utilidade mais que duvidosa para a cidade. Com uma economia anquilosada e esclerosa é impossível garantir a sustentabilidade de Elvas. A CME não pode continuar a ser a maior entidade empregadora do concelho. Já chega de termos toda uma cidade de mão estendida à caridade da Câmara e ao ego de Rondão Almeida.

Por tudo isto espero que Nuno Mocinha termine o que iniciou, mostre como é diferente e nos livre desta tragédia anunciada.

sábado, 11 de janeiro de 2014

O sigilo profissional do Fisco elvense (ou a falta dele)

Como zeloso cumpridor das minhas obrigações fiscais guardei o ultimo dia do ano, que me encontraria em em Portugal, para liquidar o imposto que o Estado me cobra por ser possuidor de um veículo automóvel, assim dia 27 de Dezembro lá me dirigi aos serviços de finanças de Elvas. Eu e mais uma catrefada de gente, como é óbvio, pois é mais que conhecido o gosto dos Portugueses pelo fim dos prazos do que quer que seja.
Ora estava eu descansadinho da vida, sentado, à espera que o monitor anunciasse o número da minha senha quando de repente começo a ouvir alguém a anunciar quantias monetárias, que, descobri de imediato, nada mais eram que os valores a pagar pelo contribuinte que se encontrava ao balcão no respectivo momento. Volta e meia além da quantia a voz ainda anunciava uma multa por pagar, uns juros, uns valores em atraso, etc. Chegada a minha vez até fiquei a saber que era bom que apenas pagasse o equivalente ao número da minha senha, mas infelizmente era muito mais... Eu e toda a sala ficou a saber. E tudo graças ao magnífico timbre de voz dos zelosos funcionários do fisco de Elvas. O que cada um paga, o que deve, quanto deve e o que mais houvesse. Isto é, no mínimo, uma tremenda falta de profissionalismo e, no máximo, uma total falta de vergonha na cara e respeito pelos outros. Nós sabemos que os funcionários das finanças sabem, mas escusavam que o mostrar e dar a conhecer aos outros.
Todos sabemos que Elvas é uma cidade pequena, onde todos se conhecem, mas (e ainda que assim não fosse) por isso mesmo não se pode faltar ao respeito e invadir dessa forma tão escabrosa a privacidade de cada um, ainda por cima num tema tão particular como os impostos que cada um paga ou deve. Foi um triste espectáculo ao qual não consegui ficar indiferente, pelo que fica o reparo e o apelo a que alguém ensine para aquelas bandas o que é o chamado "sigilo profissional".

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Prognóstico depois do jogo das autárquicas em Elvas (ou o que esperar no futuro da cidade?)

Já com algum atraso, causado pela falta de tempo, mas não posso deixar de deitar cá para fora algumas considerações sobre os resultados das autárquicas em Elvas e o que esperar no futuro.

O CDS e mais concretamente o seu líder local, Tiago Abreu, estão de parabéns, pela eleição de um vereador. Compreenderam perfeitamente como tinham de fazer campanha e o resultado aí está, relegando o PSD para um sofrível 3º lugar. Ainda é pouco, é certo, mas “Roma e Pavia não se fizeram num dia”. Espera-se uma oposição à altura.

Quanto ao vencedor, Nuno Mocinha do PS, confesso que tenho algumas poucas expectativas que faça algo diferente do desastre de duas décadas de Rondão Almeida; só de ler o slogan da campanha – Continuar Elvas – tinha arrepios… Mas espero para ver, afinal Nuno Mocinha aparenta ter melhor sensibilidade económica que o antecessor (é verdade que pior é difícil), pelo que talvez tenhamos uma outra abordagem ao desenvolvimento económico do concelho.

Já aqui tinha discorrido sobre o mais que previsível desaire do PSD, sendo que é hora, de uma vez por todas, daquela gente colocar a mão na consciência e deixar de brincar com coisas sérias: ou se constitui uma verdadeira alternativa ao desastre socialista que a cidade tem vivido, ou se é apenas para fazer figura mais vale estarem quietos. Uma vergonha inqualificável! Elvas merece um PSD à altura.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Alguém viu o PSD Elvense? (2)

Estava para escrever um post grande e maçudo sobre a desilusão que é para mim a candidatura do PSD de Elvas às próximas autárquicas, mas não o vou fazer, não vale a pena divagar pelo que serei conciso.
Sempre fui e continuo a ser laranja, mas a minha costela liberal leva-me muitas vezes a discordar de muitas das ideias que por aí andam dos sociais democratas e esta candidatura é uma delas.

Em primeiro lugar porque julgo que o PSD não se deve prestar a este tipo de coligações; é um partido que pela sua história e dimensão não devia precisar destas muletas locais; se as necessita, mesmo com o desastre que tem sido a governação socialista elvense, algo vai muito mal.

Em segundo lugar, mas mais importante, porque lendo o compromisso eleitoral vemos como as intenções desta coligação em nada diferem do desastre socialista com duas décadas: muita "criação", muito gabinete, muita coordenação e gestão, muito programa e iniciativa, mais obra e cimento, muitos apoios e incentivos, etc... Ou seja: despesa e mais despesa, o mesmo controlo de tudo e todos, o mesmo desprezo pela iniciativa privada e sua substituição pela coisa pública.
Para provar tudo isto veja-se como o compromisso tem quarenta páginas, apenas sete versam a economia e destas só dois parágrafos são dedicados à política fiscal do concelho. Está tudo dito...

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Alguém viu o PSD Elvense?

Não sei se é inépcia do partido, ausência dos candidatos ou mesmo censura, mas o certo é que não encontro uma única notícia nos órgãos de comunicação social elvenses sobre as acções de pré-campanha do PSD, quando raro é o dia em que não apareçam PS ou CDS...

Será que aquela malta concorre só por bem parecer? Serão tímidos e têm vergonha de aparecer na rua? Ou é mesmo uma espécie de censura da comunicação social?

Já agora: e que tal dinamizarem um pouco mais o blogue e a página no facebook, para não passarem uma imagem desinteressada e a malta ficar a conhecer melhor a candidatura?

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O sucesso do socialismo à portuguesa (ou à elvense)

Elvas é governada faz duas décadas pelos ideais socialistas, perfeitamente personificados pelo ex-presidente Rondão Almeida (perdão, Comendador Rondão de Almeida).
Os resultados são fielmente reproduzidos pelos dois gráficos abaixo, representando, respectivamente, a taxa de desemprego e a taxa de beneficiários de RSI comparativamente às outras cidades Alentejanas.



(clique para aumentar as imagens)

A taxa de desemprego é um quinto da população activa. A mais alta da região a grande distância da média nacional. Um quinto dos elvenses não têm trabalho.
Como se isto não fosso elucidativo, por si só, temos uma taxa de beneficiários do RSI que faria - no mínimo - qualquer governante cobrir-se de vergonha para o resto dos seus dias: nada mais nada menos que um terço. UM TERÇO senhores! Um terço dos elvenses necessitam apoio do Estado para cobrir as suas necessidades básicas.

Há quem diga que isto é uma política de sucesso (e o diga sem se rir ou corar de vergonha). É com certeza. Um notável sucesso a mostrar a verdadeira face do socialismo tuga.

Nota: as imagens e os números podem ser consultados nos indicadores do Público sobre as Autárquicas 2013.

sábado, 3 de agosto de 2013

O perfeito exemplo do socialismo (à boa moda elvense)

Elvas começa a ser uma cidade a necessitar urgentemente de ajuda externa, que a salve do desvario de duas décadas de socialismo.
Como se não bastasse a cidade estar pejada de placas com o nome do seu ainda Presidente da Câmara, Rondão Almeida, perdão, Comendador Rondão Almeida, por tudo quanto é sítio, agora é a vez de uma vereadora -  Elsa Grilo - ter uma placa com o seu nome: Biblioteca Dra. Elsa Grilo. Reparem no pormenor do título académico "Dra."... fantástico.
A justificação do Presidente para tal é uma pérola:

"é um reconhecimento pelo desempenho das funções ao longo destes vinte anos em prol da cultura no concelho e pelo excelente trabalho que desempenhou no grau mais alto que a cidade de Elvas tem que é o estatuto de Património da Humanidade”

A ver se nos entendemos: um político que desempenhe correctamente e com brio as suas funções não faz senão a sua obrigação e a isso chama-se serviço público, é para isso que foi eleito e para que servem os impostos que nós todos pagamos. Mais: em toda e qualquer organização, as conquistas são fruto do trabalho e do esforço colectivo, da equipa e de cada um desempenhar da melhor forma possível as suas tarefas. Mas em Elvas não é assim que acontece, os seus cidadãos trabalham, pagam impostos, mas os louros das obras que estes pagam recaem há vinte anos sobre uma única pessoa.
A cidade é hoje um verdadeiro estudo de caso sobre o socialismo. Tomada há vinte anos pelo PS, tem uma Câmara rica, sem dívidas, mas um povo de mão estendida à caridade do poder local, uma classe económica de rastos, anquilosada e totalmente dependente das compras do município, e imenso betão para mostrar obra feita. É uma cidade Património da Humanidade, espelho perfeito de uma política de parecer e não ser, cidade limpa e moderna, mas miserável no poder de compra das suas gentes, no abandono irremediável pelos jovens e nas festas e festarolas a toda a hora para os idosos. É uma cidade que inaugura piscinas nas suas freguesias ao mesmo tempo que tem necessidade de alimentar as suas crianças. Mas o socialismo encerra uma perigosa armadilha na sua ideologia de tudo decidir e controlar a nível central, pois um individuo que acredite piamente na moralidade superior da sua decisão sobre os outros vai querer perpetuar esse estado de coisas. E temos assim Rondão Almeida, há 20 anos a decidir o destino dos elvenses, como candidato do PS à Assembleia Nacional e número três da lista à Câmara Municipal. Infelizmente.
É hoje uma cidade mais bonita? Sem dúvida. É uma cidade melhor? Não. E duvido que o venha a ser no futuro mais próximo. Vasco Pulido Valente chamou-lhe em tempos a Rondónia; eu digo que já esteve mais longe disso.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

sábado, 29 de junho de 2013

O culto da personalidade ou a falta de senso do ridículo

 "O nome do Coliseu e Parque de Estacionamento Subterrâneo de Elvas vai ser adaptado.
De Coliseu José Rondão Almeida o espaço vai passar a chamar-se Coliseu Comendador Rondão Almeida. Já o parque de estacionamento subterrâneo vai passar a designar-se de Parque de Estacionamento Comendador Rondão Almeida."
 
"O vice-presidente refere que infelizmente «há algumas vozes que garantem que se chegassem à Câmara retirariam os nomes destas duas obras. Graças a Deus o presidente tem tido saúde para além de ter a placa também fazer a obra pelo que é de toda a justiça fazer-se esta adaptação ao nome»."
 
Notícia na Rádio Elvas.
 
Isto não é para quem quer, é para quem pode. Uma mera questão de prioridades. Ou como soi dizer-se: cada povo tem os governantes que merece.
Já agora: não se arranja uma estátua do "comendador" e a mudança de nome da cidade?

sábado, 22 de junho de 2013

Senhor Comendador

É a chave de ouro para duas décadas de desastre socialista; pois passe então a ser tratado por senhor Comendador.
Salve-se pelo menos o Património da Humanidade, nem que este repouse, brilhante e opulente, sobre os cacos de uma cidade miserável, de mão estendida para quem a visita e entregue a uma brigada do reumático que bate palmas ao abandono pelos seus filhos e netos em busca de melhor sorte.
Haja também quem apoia tudo isto. Acho bem. Que sirva pelo menos para colocar um rosto aos apaniguados lá do burgo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ó Elvas, ó Elvas viva o fogo de vista...

Telefonaram-me lá da santa terrinha a contar a novidade, mas a coisa era de tal forma surreal que um dificilmente acredita, mas ao ler esta notícia confirma-se a oficialidade da cena. Vejam ainda esta reportagem para o cenário ficar completo...

Rondão Almeida, socialista de cepa, continua igual a si próprio e afinal não faz nada mais que os cânones da sua ideologia, que tão bem, salvo seja, tem aplicado em Elvas nas últimas duas décadas. Mais que ser importa parecer, nem que seja à força.

Mas os elvenses gostam, já que lá na terra nada se passa, logo, ter à porta de casa as comemorações do 10 de Junho será todo um acontecimento para ser recordado durante décadas. Já como se vai pagar isto é coisa de somenos importância. Consta que a cidade anda animada.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Políticos, politiqueiros e a política do betão

Parece que Cristóvão Crespo, Presidente da Comissão Política Distrital de Portalegre do PSD, e deputado eleito pelo circulo de Portalegre, ousou criticar a política socialista vigente há duas décadas em Elvas apelidando-a como dramática. Como seria óbvio o Presidente da Câmara, José Rondão de Almeida, não gostou e vai daí nada como apelidar Cristóvão de "polítiqueiro de meia algibeira".
Tenho para mim que qualquer refutação de uma crítica se faz pela argumentação factual devidamente justificada e não pelo insulto directo e pessoal. Mas pronto, isso sou eu.
Nisto de política o que na prática interessa são os resultados, mais que as boas intenções, promessas e tudo o resto, e se olharmos para Elvas, os resultados estão bem à vista de todos: a maior taxa de desemprego da região, o menor rendimento per capita das cidades alentejanas, uma economia anquilosada e arcaica (se é que existe economia) e betão, muito betão. Sem dúvida que Elvas tem obra para mostrar e se o desenvolvimento se medisse pelas quantidades de cimento e asfalto a cidade era o paraíso na terra. Mas infelizmente a quantidade de rotundas, campos da bola, estradas, passeios e fontes não alimentam o povo, nem lhes enche os bolsos, como atestam duas décadas de socialismo; ainda que apesar de pobres mas honrados, pois afinal o Município não tem dívidas, o que lhe permite avançar com programas sociais para minorar as dificuldades. É verdade que a crise nacional e internacional não são alheias à situação de Elvas, mas, quer queiramos quer não, não se lhes pode imputar na íntegra os resultados de duas décadas de governação, a não ser que se assuma a posição tão lusitana da culpa ser sempre dos outros.
Mas nem tudo é mau, a cidade é agora Património da Humanidade e isso significa, como não podia deixar de ser, obras como por exemplo uma excelente e moderna circular à cidade para receber as hordas de turistas que certamente chegarão. Enquanto isso não acontece, aos Elvenses, sobra contemplar as obras com o nome do edil, ler notícias como a do El País há uma semana atrás e esperar por melhores dias.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Elvas no El País

Retrato de um país que se alegra por regressar aos mercados, mas cujas crianças levam da escola a refeição para casa:

domingo, 25 de novembro de 2012

Saudades...


Da minha mulher, da família, dos amigos, do meu país, da minha terra natal.
Do cheiro da terra molhada no meu Alentejo.
Do frio no Inverno.
De palmilhar as ruas do centro da minha Elvas.
De par um pulo a Portalegre e almoçar no enorme Tomba Lobos.
De passar a fronteira e da vista do Guadiana a acariciar Badajoz.
De calcorrear e o seu "casco antiguo" e beber uma caneca na cervejaria La Fábrica.
De jantar no grande Tanuki San.
De dar salto a Évora e escolher um par de livros na centenária Livraria Nazareth.

Já falta pouco...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

No fundo é isto

"Se a Confraria do S.J. da Piedade, não tem vocação para gerir tal espaço então encerre-o. Comparando-o com a hotelaria, aquilo é uma pensão do mais rasca que há. E que fazer? Como em muitos locais, a Câmara Municipal que construa um. Todos sabemos que não é uma actividade económica rentável para um privado. Então que sejam os poderes públicos a promover essa actividade. Não há em Portugal estádios de futebol privados, a não ser aqueles que pertencem aos clubes. Todos os outros são pertença dos municípios. Ora se estes suportam a manutenção (e não só) destas infra-estruturas, porque não o campismo, que de certeza terá custos de exploração e manutenção muito mais baratos?"


No país das PPP, das obras para inglês ver, das falências em catadupa, do desemprego galopante, dos impostos asfixiantes e das três falências desde a democracia há quem continue a pedir mais obras, mais investimento público, mais dívida e mais défice, tudo com os nossos impostos. Notável.

sábado, 11 de agosto de 2012

Sobre as boas intenções do socialismo

As férias lá na terreola começam a tornar-se cada vez mais agridoces, pois se à alegria de voltarmos temporariamente a casa junta-se a amargura de ver a vermos cada vez mais triste. Elvas é neste momento praticamente um deserto. Sem empregos, sem dinheiro, sem diversões e sem ideias. Mas mais grave: sem pessoas.
Aqui há uns anos a cidade tinha uma das vidas nocturnas mais agitadas do Alentejo, principalmente no Verão, com as noites aos fins de semana a fervilharem de movimento. A influência de nuestros hermanos sempre se fez sentir e como tal o elvense sempre foi dado a folias. Até que a Câmara Municipal, sempre zelosa do conforto dos seus cidadãos à boa maneira socialista, decidiu reduzir o horário da zona nocturna por excelência - a Cidade Jardim - até à meia-noite, compensando com a autorização para os bares do Coliseu encerrarem mais tarde (afinal este tinha que ter alguma utilidade além de ostentar o nome de tão zeloso autarca e um concerto ou outro de tempos a tempos). Aparentemente uma boa decisão, já que estava a defender os moradores da zona, começa agora a revelar suas as verdadeiras consequências. Acabar a noite à hora em que a mesma está a começar, principalmente no Verão, não é lá muito boa ideia e desanima qualquer um a alinhar. É verdade que depois da meia-noite sempre podemos ir até ao Coliseu, mas a distância do mesmo não ajuda e já que a malta tem que pegar no carro o mais certo é rumar a Badajoz onde a oferta é maior, já que apenas quatro bares (!?) não é coisa lá muito diversificada. Resultado: a Cidade Jardim está moribunda e dos bares do Coliseu, segundo me contaram, resta apenas um. Não há vida nocturna em Elvas. As consequências económicas não são, assim, de desprezar.
Sem consumo não há circulação de dinheiro na cidade, a não ser que o Município ignore que um bar é um negócio como qualquer outro que arrasta consigo uma série de fornecedores; por outras palavras: cria e ajuda a criar empregos. Numa cidade onde pouco ou nada há para fazer sobra o tempo para beber umas cervejolas, mas, se nem isso uma pessoa consegue fazer a malta vai para outros locais onde gastar os seus Euros e o seu tempo. Badajoz agradece.
Já sobre o comércio nem sei que dizer. Há pouco mais de uma década os cidadãos espanhóis enchiam as ruas do comércio elvense, disputando as lojas com elvenses e vizinhos de outras localidades. Aos sábados de manhã era quase impossível andar a pé nas ruas da cidade. Havia oferta e diversidade. Tudo isso desapareceu. A falta de competitividade dos comerciantes existe, a sua não modernização e acompanhamento das tendências é uma realidade, mas não explica tudo. A cidade acompanhou as tendências de "modernização" que assolam todas as cidade históricas do país: restauros e requalificações, que na sua maioria não são mais que betão para votante ver e restrições à circulação automóvel, muitas restrições, desde vias com novos sentidos, proibições, supressão de lugares de estacionamento gratuitos à porta de casa e sua substituição por parques pagos uns quarteirões abaixo (esta é o socialismo no seu esplendor), etc. Ou seja toda uma miríade de boas intenções que visavam defender o bem público. Mas Elvas não é uma metrópole com uma moderna rede de transportes públicos, o seu centro histórico ainda tem uma dimensão considerável e uma população bastante envelhecida, pelo que limitar a circulação de pessoas é limitar a circulação de dinheiro. Se também aqui temos que pegar no carro e estacionar longe do nosso ponto de interesse, mais vale fazê-lo onde há mais oferta e qualidade. Mais uma vez Badajoz agradece. Por isso as decisões políticas devem sempre ter em conta as características e idiossincrasias próprias do meio em que se inserem. E as pessoas ainda se perguntam o porquê da recente deslocação do comércio e serviços para os subúrbios como a já referida Cidade Jardim.... Dirão que me esqueço da crise que todo o mundo atravessa. Pelo contrário, a crise tem tudo a ver com a pasmaceira que se vive em Elvas. O que atrás referi não explica tudo, mas ajuda e muito; o problema está que se a uma crise juntamos restrições à actividade económica então temos traçado o caminho perfeito para o desastre.
Diz o povo que de boas intenções está o inferno cheio. E o socialismo também, digo eu.

PS: resta o consolo e a esperança na recente nomeação da cidade a Património Mundial, mas este titulo por si só nada significa se não se trabalhar para o dar a conhecer.

domingo, 1 de julho de 2012

Elvas Património Mundial

Há muito que devo um post dedicado à minha terra natal, pelo que a nomeação ontem das suas muralhas a Património Mundial é a oportunidade perfeita.
Sempre disse que Elvas é a cidade com mais pontos turísticos de interesse do Alentejo, mas foi sempre, incompreensivelmente, ignorada pela maioria, pelo que ontem fez-se justiça e esperemos que o quadro mude de figura. Não acreditam? Vejamos: é a maior cidade fortificada da Europa, tem o maior conjunto de fortificações do mundo e o maior Aqueduto da Península Ibérica.
O Forte de Nossa Senhora da Graça (Séc. XVIII), o Forte de Santa Luzia (Séx. XVII) e o Fortim de São Pedro constituem pontos obrigatórios e são marcos da nossa arquitectura militar e da sua importância histórica na defesa do Reino. O Aqueduto da Amoreira é, na minha opinião, o ex-libris da cidade. A sua construção iniciou-se no Séx. XVI, tem uma extensão de cerca 8 Kms, uma altura máxima de 31 metros e 843 arcos. Está situado à entrada da cidade, recebendo de forma imponente quem a visita. Para complementar temos todo o centro histórico entre as muralhas seiscentistas, que é um verdadeiro museu a céu aberto. 
Entre pelo Viaduto que faz a ligação entre a parte nova e velha da cidade e inicie a visita pela Praça da República onde fica Sé de Elvas (Séc. XVI), suba até ao Castelo Medieval (séc. XIII) e deleite-se com a vista de cortar a respiração, de seguida embrenhe-se pelas ruas e ruelas da parte mais antiga da cidade, num passeio inesquecível a respirar outros tempos, e desça até ao Largo de São Domingos onde está a Igreja do mesmo nome, cujo início da construção remonta ao séc. XIII, é um dos raros exemplares da arquitectura gótica em Portugal; siga junto às muralhas pela Avenida de São Domingos em direcção às Portas de Olivença, outro ponto de entrada para entre os muros, continue junto ás muralhas até à Praça 25 de Abril e lá chegado suba ao miradouro junto à Capela de Nossa Senhora da Conceição, onde ficam também as Portas da Esquina. A vista mais uma vez é fabulosa e pode ver o Aqueduto, o Forte da Graça, bem como uma fantástica panorâmica da cidade. 
Depois aproveite mais um passeio pelas ruelas do centro até à Torre Fernandina (séc. XIV). Há muitos mais pontos de interesse histórico em Elvas, mas deixo à curiosidade do leitor a sua descoberta quando visitar a cidade. Além de História, se for um interessado por Arte, tem muito por onde escolher, entre o Museu da Fotografia, o Museu Militar do Forte de Santa Luzia, o Museu Militar no Antigo Regimento de Infantaria ou o Museu de Arte Contemporânea.
Depois de tudo isto e como a cidade não é pequena será hora de reconfortar o estômago e não há local melhor para isso no Alentejo. A 17 Kms da cidade, na aldeia da Terrugem fica A Bolota, verdadeiro ex-libris da cozinha alentejana e um dos melhores exemplos da boa mesa em Portugal. Na aldeia de Vila Fernando é também obrigatória uma paragem da Taberna do Adro, tal como o Restaurante Pompílio na aldeia de São Vicente, sendo excelentes exemplos da melhor tradição alentejana. Se a sua preferência vai para os pratos do mar também não ficará desiludido, pois entre o Ti Catrina e o El Cristo pode optar entre o melhor peixe fresco e o melhor marisco, respectivamente, da região. Em qualquer destes casos atrás citados prepare a carteira pois a qualidade assim o obriga, no entanto a oferta da cidade é tão rica e variada que há para todos os gostos e bolsas.
Como cidade de fronteira e local de passagem a oferta hoteleira é também variada e para todos os gostos, onde destaco a Quinta de Santo António, o Hotel D. Luís ou o Hotel São João de Deus, sendo apenas de lamentar o recente encerramento da mais antiga Pousada do país (que esperemos o Grupo Pestana repense depois deste reconhecimento pela UNESCO).
Feita esta breve introdução resta-me desejar bom passeio a quem ainda não conhece um dos mais interessantes locais do Alentejo, muito diferente de tudo o que há na região. Elvas é única.

Nota: alguma imagens são da minha autoria, outras são do Blogue Fotógrafos de Elvas.